Para aonde vamos

Divido esta mensagem publicada no Facebook do querido Pediatra Dr. Eduardo Hita:

PARA ONDE VAMOS

FÁBRICA DE CRETINOS DIGITAIS, esse é o título do livro lançado pelo neurocientista francês Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França. Segundo ele, a atual geração digital, pela primeira vez na história, apresenta QI inferior ao dos pais. Provavelmente de causas multifatoriais, mas os estudos mostram claramente que há relação inversa bem estabelecida entre o uso de telas e o desenvolvimento cognitivo. Com o uso excessivo há perturbação dos principais alicerces da inteligência, a saber: linguagem, concentração, memória e cultura, acarretando prejuízos na qualidade e quantidade das interações intrafamiliares, essenciais para o desenvolvimento da linguagem e do emocional; leva a diminuição do tempo dedicado a outras atividades mais enriquecedoras; há perturbação do sono, que é quantitativamente reduzido e qualitativamente degradado; existe superestimulação da atenção, levando a distúrbios da concentração, aprendizagem e impulsividade; superestimulação intelectual, que impede o cérebro de desenvolver todo seu potencial; sedentarismo excessivo que, além do desenvolvimento corporal, influencia na maturação cerebral. Importante ressaltar que ele não condena as telas. Vê como positivo se estiver inserido dentro de um projeto educacional estruturado que promova efetivamente a transmissão de conhecimento. Entretanto, na rotina diária prevalecem os usos recreativos, extremamente empobrecedores e nocivos.


Se o mundo não mudar, vê com pessimismo nossa trajetória. O que ele chama de “orgia digital” levará ao aumento da desigualdade social e uma divisão progressiva da sociedade entre uma minoria de crianças preservadas que possuirão, através da linguagem e da cultura, todas as ferramentas necessárias para pensar e refletir sobre o mundo e uma maioria com ferramentas cognitivas e culturais limitadas, incapazes de compreender o mundo e agir como cidadãos cultos. Não demonstra otimismo quanto ao futuro que será triste segundo suas previsões. Soando a distopia, mas nem tanto, imagina que as crianças dessa geração, nomeadas “alpha”, crescerão e serão adultos que vão se divertir até a morte. Teremos um mundo com acesso constante e debilitante ao entretenimento, onde aprenderão a amar sua servidão, ditada pelos algoritmos onipresentes na vida digital. Um monstro alimentado pelos adultos, já com QI afetado.


O cérebro das crianças, cuja arquitetura vai sendo moldada, na sua essência, ao longo dos primeiros anos de vida, sofre agressões e carências, de acordo com o estilo de vida em que estiverem inseridas, levando a traumas e vazios irreversíveis na sua forma mais severa. A pandemia acentuou algo que já vinha em curso. O mundo digital passou a ser companhia permanente e claro está, não vamos evoluir bem com o exagero. Buscar o equilíbrio, a moderação, não esquecendo que para uma vida boa, criar vínculos que nos encham de memórias afetivas, é essencial. Esse parece ser um bom caminho que, através da telas, ninguém vai encontrar.

Eduardo Koiti Hita

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.