Uso adequado da palavra

Adequado uso da palavra

Afirma um provérbio popular que o homem é senhor das palavras não ditas, mas escravo das que profere.

Isso porque, após pronunciadas, são como penas ao vento. Impossíveis de serem recolhidas.

Os homens públicos, não poucas vezes, têm se dado muito mal por falarem, de forma apressada, sem refletirem, expressando o que lhes vêm à mente, de rompante.

Por mais que, posteriormente, busquem ajustar, acertar, dificilmente são sanados os efeitos, na totalidade. Mesmo porque muitos dos que ouviram, inicialmente, poderão não ser alcançados pelas explicações dadas posteriormente.

No relacionamento entre patrões e empregados, a questão não se faz diferente.

Funcionários podem ser dispensados por terem utilizado mal o verbo, desrespeitando colegas ou superiores.

Ou por passarem informações inverídicas, comprometendo a imagem da empresa.

Por sua vez, patrões que não têm a devida sensibilidade, podem sofrer ações punitivas, quando agridem verbalmente aos seus empregados.

Entre amigos, a questão se faz ainda mais delicada.

Confidências feitas nos momentos em que tudo vai bem são repassadas, sem critério, a muitos, quando o laço afetivo se rompe.

Aquele que desvelou o mundo íntimo fica corroído de tristeza e inseguro, ante a possibilidade de não serem honradas as reservas que o assunto requer.

O outro, por sua vez, seja por maldade ou por revanchismo, resolve tudo espalhar, denegrindo a imagem do que lhe era amigo até há pouco.

Nos dias atuais, com as facilidades das redes sociais, esse procedimento tem tomado maior vulto.

Sem refletir, pessoas informam a muitas outras, questões que deveriam ser confidenciais.

Também inverdades, calúnias, maldades.

Pela rapidez, logo alguém é alvo de suspeitas, queixas e olhares críticos.

Assim se destroem reputações de indivíduos e de instituições.

Por vezes, totalmente infundadas, as notas alcançam o alvo, amolentando as forças do agredido, provocando-lhe distúrbios físicos e psíquicos.

Ou criando, no caso de instituições, entraves de variada ordem.

Por tudo isso, os que nos dizemos ser os seguidores de Jesus, necessitamos repensar nossa forma de agir.

Não utilizemos a palavra escrita ou falada para denegrir pessoas ou instituições.

Reflitamos antes, ponderando se o que nos move não é simplesmente o egoísmo, ou a inveja ou qualquer outra paixão menos feliz.

Nesse caso, refreemos o impulso. Se nosso intuito é de ajudar, o primeiro a ser procurado é o próprio interessado.

Se, alertado, ele não se deseja modificar, deixemo-lo. Assim também age a Divindade para conosco, não nos violentando a vontade.

Que bem nos fará divulgarmos o que de errado pratica alguém? A quem aproveitará?

Se nos move o intuito de preservar trabalhos, instituições, ainda aí guardemos reserva.

Busquemos os responsáveis, propondo mudanças, alterações, antes de destruir trabalhos de muitos anos.

Jesus ensinou que se alguém tiver algo contra seu irmão, deve ir ter com ele.

Pensemos nisso.

* * *

Evita alardear o mal ou ser mensageiro das trevas. O mundo já é suficientemente infeliz, com a maldade que vige.

Utiliza a tua palavra para estimular as criaturas ao bem.

Busca a virtude, oculta embora, como violeta pequena entre as folhas no jardim, e demonstra-a.

Acredita: o mal somente distende tentáculos sempre mais ameaçadores sobre as criaturas, porque lhe fornecemos energias.

Sê tu aquele que projeta luz. Sê a tua palavra a da alegria, do bom ânimo, do fortalecimento moral.

Redação do Momento Espírita.

Um silêncio eloquente

O hábito de reclamar e discutir é bastante difundido.Ante a mínima contrariedade ou decepção, reclamações e discussões costumam surgir.A impressão que se tem é de que todos esperam uma vida perfeita.Como a perfeição não é deste mundo, explodem os destemperos e os atritos.A esposa se aborrece com a pouca atenção que diz receber do esposo.O empregado reclama das exigências do patrão.O chefe se irrita com as falhas dos subordinados.Irmãos se atacam, pelo menor motivo.Estudantes reclamam do professor exigente.Mestres discursam a respeito da pouca dedicação de seus discípulos.Quem tem alguma enfermidade se acha uma vítima da vida.Aquele que cuida de parente enfermo também se enfurece contra o destino.De um modo ou de outro, as criaturas em geral parecem contrariadas.À míngua de um mundo cor-de-rosa no qual possam viver, fazem com que todos saibam que estão descontentes.Não têm o cuidado de processar no próprio íntimo os seus aborrecimentos.Não perguntam a si mesmos a razão pela qual passam por dificuldades.Especialmente, esquecem do silêncio como forma de preservar a paz do próximo.Mas há um exemplo sobre o qual convém refletir.Trata-se do comportamento de Jesus logo após Sua prisão.O Mestre Divino jamais poderia ser acusado de omisso.Sempre se posicionou com firmeza, em defesa do bem e da verdade.Levantou com desassombro Sua voz contra as hipocrisias dos fariseus.Esclareceu de modo vigoroso os que faziam do templo um local de comércio.Contudo, na hora de Seu testemunho maior, calou a própria voz.A caminho do Calvário, passou em espetáculo para o povo, com a alma mergulhada em um maravilhoso e profundo silêncio.Sem proferir a mais leve acusação, caminhou humilde, coroado de espinhos.Não se aborreceu com a ignorância que lhe colocou nas mãos uma cana imunda, como se fosse um bastão real.Não se incomodou com as cusparadas dos populares exaltados.No momento do Calvário, Jesus atravessou as ruas de Jerusalém em um silêncio pleno de significados.Como se desfilasse diante da Humanidade inteira, ensinou a virtude da tranquila submissão à vontade de Deus.*  *  *Antes de reclamar da vida, reflitamos sobre esse exemplo.Jesus era puro e não recusou o sacrifício.Entretanto, nós ainda carecemos de muitas experiências para completar nosso processo evolutivo.Se a vida nos faz exigências, aceitemos.Não esperemos a todo momento sermos auxiliados e compreendidos.Habituemo-nos a ser quem entende e ampara.Tendo em mente o maravilhoso silêncio de Jesus, aprendamos a também silenciar nossas queixas.Redação do Momento Espírita, com base no cap. XII
do livro
Boa Nova, pelo Espírito Irmão X, psicografia
de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Disponível no livro Momento Espírita, v. 9, ed. FEP.

Os sentimentos alheios

Os sentimentos alheios

 

Em tempos em que a ordem é produzir, conquistar mercado, superar o concorrente, algumas atitudes verdadeiramente surpreendem.

É comum entrarmos em lojas e observarmos a ansiedade do atendente, quando se pede para ver outro produto e outro mais.

Se acompanharmos o seu olhar, possivelmente descobriremos que ele se dirige ao cliente em potencial, que adentra a loja.

Cliente que tem seu perfil rapidamente identificado, na mente do funcionário, conforme esteja vestido, sua postura diante da vitrina olhando esse ou aquele artigo.

É um mundo apressado, em que parece que todos desejam usufruir do que está para vir esquecendo-se do presente, do que está ocorrendo.

Por isso mesmo, frisamos, algumas atitudes nos causam surpresa.

Como o caso daquela mãe que levou o filho ao Walt Disney World Resort. Fã da animação Toy Story, depois de muito se divertir, o garoto ganhou o Slinky, o cachorro-mola.

Como toda criança que tem nas mãos o objeto da sua idolatria, não o largou mais: enquanto dormia, enquanto passeava, enquanto se alimentava.

Findo o período de férias, deixaram o hotel e se encaminharam para o aeroporto.

No carro, foi dada a falta do Slinky. Onde estava? Em certo momento, ele fora esquecido dentro de uma loja, enquanto pai e filho se divertiam com os brinquedos.

A mãe fez alguns telefonemas e, para consolar o filho disse que, como os personagens Buzz e Woody, no filme, o Slinky, possivelmente, haveria de encontrar o caminho de casa.

Quando, afinal, chegaram em seu lar, receberam uma ligação da loja. O cachorro-mola fora encontrado.

De imediato, a mãe perguntou quanto custaria para enviá-lo via postal.

Os funcionários responderam que não custaria nada e que o Mickey estava tomando todas as providências.

Somente haveria que ter paciência porque demoraria uns dez dias para Slinky chegar.

Quando, finalmente, a encomenda foi entregue, nova surpresa. Uma carta esclarecia o sumiço de Slinky: Parece que ele não estava pronto para o fim da viagem! Nós o encontramos brincando com alguns amigos.

Esperamos que você não se importe, mas eles queriam acompanhar o Slinky na viagem para casa.

E quando o garoto abriu o pacote lá estava o cachorro com seus amigos: o boneco do Woody e mais alguns soldadinhos.

*   *  *

Quando alguém, em meio aos seus tantos afazeres e interesses comerciais, faz um staccato para se preocupar com um brinquedo esquecido, em momento de distração, é algo que nos fala que este mundo está, sim, melhor a cada dia.

O importante, em verdade, não era o brinquedo, que poderia, quem sabe, em outro momento, em outra viagem, vir a ser substituído. Eram os sentimentos da criança que envolviam aquela perda.

E exatamente nisso é que pensaram os funcionários e gerente daquela loja.

Por isso, se esmeraram em tudo providenciar e até alimentar um tanto mais a fantasia da criança, inventando uma historinha.

Oxalá fôssemos todos nós assim. Preocuparmo-nos com os sentimentos do outro, criança ou adulto.

Quantas vezes dizemos que certas atitudes são pura tolice. Perda de tempo.

E, no entanto, se constituem em pequenos gestos que produzem felicidade, que alegram o coração de uma criança, felicitam um adulto, tornam um dia inigualável…

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, a partir
de nota colhida na Internet.