A vida continua

“…
Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?

Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho…

Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi.”

(Santo Agostinho)

Hoje o dia é especial…

Hoje poderia ser mais um domingo,

Mais um dia igual a tantos outros,

Sol, chuva, bobeira,

Quiçá zoeira…

Mas, hoje, o dia nasce com um sabor inigualável:

Hoje, meu coração pulsa mais forte,

Minha mente vive mais acesa,

Minha alma se encontra em êxtase…

Hoje, nasceu Ela.

Ela que veio de mansinho na minha vida,

Ela que com seu jeitinho me conquistou inteirinho:

Ela, simplesmente ela.

Uma mulher única, singular, especial.

Ela e apenas ela sabe como tudo mudar,

Alguém que me fez melhor do que sou,

E ainda me ensinou o significado de amar.

Amar não apenas a si ou a Ela,

Amor em dobro que ultrapassa nossa caminhada terrena,

Amar com nome de Laura e Marinna,

A mais bela rima.

Ela que atende por Polliana,

Por Polly, por amor, pelo jeito que for,

Atende quando quer e quando pode,

A exata medida da necessidade da minha existência divina.

Exaltar meu amor será sempre pouco,

Pois palavras são menos que sentimentos,

Entretanto, dizer que te amo não canso,

Assim como dizer meus desejos que não são poucos:

Vamos deixar os mundanos para mais tarde,

Apenas declarar aqueles que todos podem ler sem piedade:

Saúde, paz, felicidade e muita vida ao meu lado,

Porém tem um que deve ser sempre recordado, lembrado e exaltado:

Meu muito obrigado.

Agradeço a Deus-Pai por estares no meu caminho,

Por teres criado vida na minha vida,

E de lambuja me dar o adjetivo que mais me reconheço: Ser pai.

E ainda preciso dizer obrigado,

Pelas escolhas que faz comigo,

Bem como pelas que não faz,

Um dilema que muito se traduz em verso e verdade:

Afinal, tu és tudo e nada,

Minha maior amiga e amizade,

Minha essência e profundidade,

Enfim,

Um paradoxo de amor, paixão/amor e verdade,

Tudo é Ela. Ela é Polliana. Ela está de aniversário.

Eu sou dela. Eu sou Gustavo. A ela dedico meus versos, poesia e vida.

E a vida eterna. Que quero que seja também com Ela!

Escrito para minha doce esposa, amiga, mulher, companheira, namorada, minha vida Polliana em 03/11/2019.

Gustavo Rocha

A morte

A Morte

Pedro Bial

Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos,
parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada,estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena,
mas nada acontecia ali de risível, era só dor e a perplexidade, que é mesmo o que causa em todos os que ficam.
A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro:
a morte por si só, é uma piada pronta.
A morte é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário.
Tem planos para semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório…
Colocar gasolina no carro e no meio da tarde…
MORRE.
Como assim?
E os e-mails que você ainda não abriu?
O livro que ficou pela metade?
O telefonema que você prometeu dar a tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia:
MORRER…
A troco de que?
Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviram para nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente.
Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego. Mas não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de duvidas quanto à profissão escolhida…
Mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente…
De uma hora pra outro, tudo isso termina…
Numa colisão na freeway…
Numa artéria entupida…
Num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis…
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.
Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas…
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas…
A apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você que dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manha.
Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito…
Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem vindo…
Já não há muito mesmo a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas.
ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo?
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas.
Morrer é um exagero.
E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.
Só que esta não tem graça.
Por isso viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da vida…
Perdoe…
Sempre!!