O amor quando se revela

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

Fernando Pessoa

Alma errada

Há coisas que a minha alma, já mortificada não admite:
assistir novelas de TV
ouvir música Pop
um filme apenas de corridas de automóvel
uma corrida de automóvel num filme
um livro de páginas ligadas
porque, sendo bom, a gente abre sofregamente a dedo:
espátulas não há… e quem é que hoje faz questão de virgindades…
E quando minha alma estraçalhada a todo instante pelos telefones
fugir desesperada
me deixará aqui,
ouvindo o que todos ouvem, bebendo o que todos bebem,
comendo o que todos comem.
A estes, a falta de alma não incomoda. (Desconfio até
que minha pobre alma fora destinada ao habitante de outro mundo).
E ligarei o rádio a todo o volume,
gritarei como um possesso nas partidas de futebol,
seguirei, irresistivelmente, o desfilar das grandes paradas do Exército.
E apenas sentirei, uma vez que outra,
a vaga nostalgia de não sei que mundo perdido…

Mário Quintana

Resenha do livro Mentiras Privadas

Divido com vocês a resenha do livro Mentiras Privadas do autor Frank Pittman… Achei muito boa, não encontrei o livro para vender, fica a dica quem quiser me dar de presente…😉

 

Resenha de Livro
Curso de Formação em Terapia Relacional Sistêmica
Psicóloga Solange Maria Rosset

Nome do Livro: Mentiras privadas – a infidelidade e a traição da intimidade
Autor do Livro: Frank Pittman
Editora, ano de publicação: Porto Alegre: Artes médicas, 1994

 

Relação dos capítulos

Capítulo 1 – O que é infidelidade?

Capítulo 2 – Alguns mitos sobre a infidelidade

Capítulo 3 – Segredos culpados

Capítulo 4 – Ciúme e infidelidade

Capítulo 5 – Monogamia e suas insatisfações

Capítulo 6 – Os pontos críticos do casamento

Capítulo 7 – A situação dos casos em nosso mundo

Capítulo 8 – Infidelidade acidental(Simplesmente aconteceu)

Capítulo 9 – Namoro: a batalha dos sexos

Capítulo 10 – Casos românticos: insanidade temporária

Capítulo 11 – Arranjos conjugais

Capítulo 12 – Infidelidade e divórcio

Capítulo 13 – Do romance ao recasamento

Capítulo 14 – O que as crianças irão pensar?

Capítulo 15 – Quando a monogamia funciona

 

Apanhado resumido sobre cada capítulo

CAP. 01 – O QUE É INFIDELIDADE? 

Neste livro o autor trata da infidelidade sexual num casamento ou relacionamento monogâmico. Todo casal, quando se une, estabelece regras de comunhão explícita ou implicitamente, são os acordos entre eles para uma boa convivência e, a quebra desse acordo corresponde à traição, à quebra da confiança em outras palavras à infidelidade.

Para o autor, infidelidade não é o mesmo que adultério. O adultério está ligado à preocupação religiosa e legal do ato, independentemente do relacionamento do casal, trata-se de algo fora do casamento; enquanto que a infidelidade está diretamente ligada à traição da honestidade do relacionamento, trata-se da intimidade do casal. E, nada é tão forte e capaz de romper um casamento como é a infidelidade e, não é tanto pelo ato em si, mas por duas coisas que juntas podem ser devastadoras: o segredo e a mentira. Uma questão levantada pelo autor é o julgamento moral que, normalmente, fazemos quando se trata de infidelidade. Cada um tem seu próprio sistema funcional de valores e, aos profissionais da saúde mental cabe o cuidado de não inserir seus próprios valores, uma vez que poderia supor que tem tanto poder para faze-lo.

Quando um caso de infidelidade vem à tona trazem consigo uma complexidade de emoções e sentimentos. A raiva é o sentimento que mais se sobressai e, duas emoções raramente são superadas, que são: culpa e ciúme. Por isso, muitas vezes a única saída é manter o caso em segredo. O autor defende que uma boa dose de culpa não é prejudicial, pois, levaria as pessoas a refletirem melhor sobre seus atos. Segundo o autor, num casamento onde há o acordo monogâmico o sexo extraconjugal deve ser encarado como um comportamento sintomático e problemático, portanto seu significado específico deve ser explorado. A decisão de praticar a monogamia não deve ser unilateral, uma vez que faz parte dos acordos estabelecidos entre o casal.

Embora os seres humanos cometam muitas infidelidades e muitos casamentos sejam adúlteros, ainda há muito do sonho de ideal de parceiros, ideal de relacionamento, ideal sexual, enfim, acredita-se que a monogamia seja o ideal. A infidelidade não causa sérios danos apenas no casal, mas a todos os envolvidos: o infiel, o parceiro do caso, o parceiro do casamento, os filhos e familiares. Tudo isso deveria ser óbvio a todos, porém, não é isso que muitas vezes acontece, não raro, pessoas que cometem a infidelidade são “pegas de surpresa” com tamanho estrago que tal ato foi capaz de produzir na sua vida e na sua família.

CAP. 02 – ALGUNS MITOS SOBRE A INFIDELIDADE 

Segundo o autor, o tema infidelidade comumente vem carregado de muita informação errada e de mitologia. E cita sete mitos enganosos, são eles:

01-Todas as pessoas são infiéis; esse é um comportamento normal, esperável.

02-Os casos fazem bem a você; um caso pode, inclusive, fazer reviver um casamento monótono.

03-O infiel certamente não “ama” o parceiro; o caso prova isso.

04-O parceiro do caso deve ser mais “sexy” que o cônjuge.

05-O caso é culpa do cônjuge, prova de que ele falhou ao infiel de alguma maneira que ele tornou o caso necessário.

06-A melhor abordagem à descoberta do caso de um cônjuge é fingir não saber, evitando dessa forma uma crise.

07-Se acontece um caso, o casamento deve terminar em divórcio.

O autor defende que todos esses mitos até podem conter alguma visão de verdadeiras, mas mesmo nesses momentos são enganosas. Ainda, a monogamia é vista como o ideal de casamento. Acordos mais comuns, nos casamentos, são feitos acreditando na monogamia, na honestidade e na intimidade. Pensar que um caso pode revigorar um casamento monótono é ser ingênuo quanto às conseqüências advindas de um caso. Assim como, pensar que todo casamento torna-se monótono e sem vida com o passar dos anos. Nada é tão devastador para um casamento quanto a infidelidade, utilizar um caso na tentativa de resolver qualquer problema no casamento é se enrolar ainda mais no problema. A questão crucial do casamento é o comprometimento de cada um, é a escolha que se faz diante de seu sistema de valores.

Nem todos os casos têm interesse primeiro no sexo, muitas vezes a escolha pelo parceiro de caso parece estar baseada na diferença deste em relação ao cônjuge. E, o ponto da diferença pode diagnosticar um dos problemas para o qual o caso foi encaminhado. Todo caso traz um certo valor de mensagem, uma delas é o desejo de sair do casamento sem assumir a responsabilidade de pedir o divórcio, e forçar o cônjuge a pedi-lo no seu lugar. Nem todo casamento é obrigado a acabar após um caso, é certo que a maioria acaba, pois, se antes do caso, o casamento era problemático, depois da descoberta de uma infidelidade os problemas são bastante diferentes, sérios e emergentes. Assim, o autor defende que a melhor coisa a fazer é tratar do assunto abertamente, o que pode salvar vidas e o casamento, desse modo substituiu aquelas generalizações acerca da infidelidade por outras:

1-A infidelidade não é um comportamento normal, mas um sintoma de algum problema.

2-Casos são perigosos e podem facilmente e inadvertidamente acabar com o casamento.

3-Casos podem ocorrer em casamentos que, antes do caso, eram bastante bons.

4-Casos envolvem sexo, mas o sexo geralmente não é o propósito do caso.

5-Ninguém pode levar uma outra pessoa a ter um caso.

6-Casos são alimentados pelo segredo e ameaçados pela exposição.

7-Casamentos podem, com esforço, sobreviver aos casos se estes forem expostos.

CAP. 03 – SEGREDOS CULPADOS 

Para o autor, a gravidade da traição está mais na mentira e no segredo do que no ato em si, o que mais pesa é para quem você mente. Sobre isso o autor tece três suposições mais comuns sobre: a desonestidade é necessária entre os homens e mulheres; 1)eles têm visão diferente, não compreenderiam certas coisas; 2)a desonestidade protege as pessoas de se machucarem; 3)o perigo da infidelidade é ser descoberto – se for mantido em segredo não vai prejudicar ninguém. Por mais nobre que seja a intenção será uma ameaça ao casamento. Apenas demonstra como o outro vê seu parceiro. Se seu parceiro é tão frágil, diferente, delicado ou assustador para compreende-lo deverá ser mantido a uma certa distancia. Contudo, para manter esta distancia é necessário criar subterfúgios que normalmente tem como objetivo desorientar o cônjuge.

Para o autor a desonestidade parece estar ligada ao gênero masculino e feminino. Homens e mulheres foram educados de forma a apresentarem diferentes visões e posturas diante da vida e do lidar com o sexo oposto. Dessa forma, tanto os homens como as mulheres têm suas próprias regras bem definidas para o bem relacionar-se, cada um usando as armas e artimanhas que aprenderam, como resultado teremos a desonestidade honesta, pois, ambos obedecem as regras da sedução. Essa forma de desonestidade traz embutido um grande poder sobre a pessoa “dominada”, sobre o cônjuge traído e, isso também é aprendido na infância.

Para o autor, a raiz da infidelidade está na adolescência, que acontece da seguinte forma: quando crianças, as brincadeiras sexuais normais são mantidas secretas dos pais, isso faz com que oscilem entre a culpa e a raiva pelos pais; mais tarde, na adolescência, os pais, pela dificuldade em lidar com o assunto sexo, fazem piadas sobre sexo de forma pejorativa, ensinando que é um assunto do qual não se deve falar abertamente com ninguém; mesmo aqueles que dizem falar aberta e calorosamente sobre sexo, guardam seus segredos e mentem a respeito de sua sexualidade. Como resultado a aprendizagem sexual na puberdade/adolescência pode se dar de forma inadequada, fazendo-os sentirem culpa pelas experiências e sentimentos gerados e, que poderiam ser muito normais para a fase que passam. Os pais acabam passando aos filhos que a sexualidade deve ser tratada com educação e discrição, ou seja, mentir. Assim, tornam-se oponentes diante do assunto sexualidade que mais tarde é transferido para o parceiro que deve ser tratado de modo desorientador, pois, devem mentir e manter os segredos culpados, o que o torna seu inimigo.

O autor defende que diante da questão: deve ou não contar a verdade ao parceiro traído, ainda a melhor opção é contar a verdade, pois ele acredita que a honestidade e a intimidade seja o melhor caminho para a monogamia e para o casal.

CAP. 04 – CIÚME E A INFIDELIDADE 

Segundo o autor, em diferentes pessoas o ciúme tem diferentes conotações, podendo ser visto como: um teste de amor, falta de confiança do outro em si, possessividade, intrusão e outros. Contudo, o ciúme é um sentimento inato do ser humano e serve para preservar seus pares. É um mecanismo que tanto pode aproximar um casal como pode afasta-los ainda mais. O ciúme serve para detectar o quanto o nosso parceiro está conectado conosco. O ciúme normal ou desejável é aquele que provoca um comportamento de aproximação do casal. Existem pessoas que ao menor sinal de ameaça ou não, ficam tão furiosos que sua reação é punir o outro, esse tipo de comportamento ao invés de aproximar afasta ainda mais.

Nos casamentos o ciúme serve como um termômetro para a relação, evitando a distancia. Quando há distancia o ciúme é acionado e, quando uma pessoa é verdadeiramente íntima sabe quando o outro está mentindo, só não sabe o que esconde, pois, a mentira distancia. Provavelmente no ciúme esteja embutido o sentimento de dependência e medo de abandono. O ciúme intenso e alienante demonstra muita possessividade e pouca intimidade, podendo até ser sintomático. Muitas vezes esse excesso de ciúmes vem mostrar o quanto se sente desvalorizado. Conforme as pessoas vão envelhecendo sua auto confiança vai diminuindo e seu desejo de aproximação vai aumentando, se os filhos saem de casa o casal fica ainda mais dependente um do outro e qualquer dúvida é sentida como uma ameaça de um caso, despertando o ciúme.

O autor defende que o ciúme não é uma demonstração de baixa-auto-estima, pois, além de ser um sentimento inerente ao ser humano, essas pessoas sabem bem o que estão fazendo e pra quê estão fazendo. Quanto mais se sentirem ameaçados pela vontade do outro de sair do relacionamento mais se tornam possessivos. Nenhuma relação pode dar certo se não for por um comprometimento voluntário, o excesso de ciúme só faz com que o outro se distancie cada vez mais até conseguir escapar. A única forma de lidar com o ciúme é reafirmando os laços com confiança e, se estes estiverem sendo quebrados seja pela infidelidade, desonestidade ou distancia pode transformar-se em desespero, desesperança e raiva.

CAP. 05 – MONOGAMIA E SUAS INSATISFAÇÕES 

Segundo o autor, quando as pessoas se casam idealizam um mundo só para elas, esperam inclusive, serem invejadas pelo mundo, pois, serão felizes para sempre. Quando as coisas não acontecem conforme o desejado ficam muito decepcionadas. Muitas dessas pessoas se casam repetidas vezes na busca de que a paixão jamais se dissipará e serão felizes para sempre, para elas o errado está na instituição casamento ou no parceiro.

Muito embora a monogamia seja vista como algo natural, muitas pessoas tecem fantasias sobre seus parceiros. Nem todos são capazes de compreender as realidades de um casamento, nem todas as pessoas estão preparadas para ser um bom marido ou uma boa esposa ou ainda não são talhadas para o casamento. O autor cita alguns problemas do casamento, o principal problema é que acontece entre um homem e uma mulher, onde cada um busca o parceiro ideal justamente nos maiores extremos da diferenciação de gênero. Ou seja, o relacionamento é conduzido no papel específico de homem e de mulher e não em se verem como seres humanos semelhantes, assim, esperam ser retribuídos pelo sexo oposto. Corresponderia ao sonho de herói e heroína. O segundo problema é da crença na química. Muitas pessoas pensam e acreditam na crença da “pessoa certa”, e que quando aparecer a pessoa certa será feliz para sempre e enquanto o relacionamento não der certo é porque a pessoa certa ainda não apareceu. O romance é o terceiro problema do casamento. Muitas pessoas sonham e desejam que o romance dure para sempre, não sabem a diferença entre o romance e o amor, mas confundem-no. E, quando o romance acaba sentem-se muito magoadas como se estivessem sendo enganadas. A ignorância sexual também traz muitos problemas para o casamento. O sexo faz parte do casamento e serve para aproximar e tornar o casal mais íntimo. No entanto, não é isso que acontece, para o autor, a questão sexual está intimamente ligada ao gênero, onde mulheres-que-temem-os-homens precisam de uma prova de amor para se entregar, é como se fosse uma compensação entre amor e sexo ligado ao processo romântico. Os homens-que-temem-as-mulheres por sua vez, vêem o sexo como uma vitória sobre as mulheres, para eles, o amor e o romance é uma perigosa armadilha. Uma outra questão é o isolamento. Muitos casais, como forma de se protegem das pessoas e do mundo, se isolam até da família nuclear. Esse é um caminho perigoso, pois, se não tem mais a família ampla para a proteção e intimidade podem querer buscar a intimidade fora do casamento.

Para o autor nem todas as pessoas deveriam se casar, existem pessoas que não conseguem formar parceria, como: os psicopatas, os toxicomaníacos, os violentos. E, existem aquelas pessoas que querem muito se casar, mas têm muita dificuldade em manter o casamento adequadamente, são eles: os depressivos, os alcoolistas, os obsessivos, os paranóicos e os fóbicos. Essas pessoas buscam alguém que possam cuidar delas e que façam por elas, não estão interessadas em dar sua parcela de contribuição, apenas em receber. O autor ainda defende que muitas pessoas que se casam acabam se afastando dos amigos, principalmente os do sexo oposto, renunciam desses prazeres por acreditarem que não condizem com o papel adulto que agora deverão desempenhar, com isso acabam tolerando todo o tipo de defeito do outro, até aqueles que jamais toleraria. Defende também que, o casamento foi feito para pessoas crescidas, maduras, que jamais esperariam do parceiro competência e assertividade, mas buscariam a igualdade e maturidade emocional.

CAP. 06 – OS PONTOS CRÍTICOS DO CASAMENTO 

O autor afirma que embora no início do casamento a felicidade pareça ser eterna, com o tempo conflitos e crises irão surgir e muitas vezes trazem suspeitas de um caso e, às vezes essas suspeitas tem fundamento. As crises e conflitos surgem nos pontos críticos do casamento, podendo ocorrer a infidelidade. O autor aponta os seguintes pontos críticos: APAIXONAR-SE: existem pessoas que necessitam sentir-se amadas quando estão num relacionamento, assim como, necessitam que o outro sempre reassegure esse amor, a preocupação está no receber e não no dar amor. PANICO PRÉ-NUPCIAL: quando o namoro se desenvolve para o casamento é natural que haja um esfriamento ou distanciamento entre o casal como forma de avaliarem a si próprios, se ainda tem controle sobre si próprio e sua vida e, o outro pode não aceitar e querer estar ainda mais perto do parceiro, podendo resultar no afastamento total ou rompimento, pois, o outro pode sentir como uma ameaça à sua integridade. O FIM DO ROMANCE: muitas pessoas casam acreditando que viverão um eterno conto romântico e, quando percebem que o romance acabou e que a realidade do casamento é outra sentem-se traídas, culpam o parceiro e o casamento; essa seria uma boa desculpa para um caso, essas pessoas não sabem e não querem saber que quando o romance acaba, começa o casamento. O MUNDO ADULTO: com o início do casamento o casal percebe que faz parte de algo maior do que apenas o casal; percebem que existem as famílias de origens e, que terão que convicer com as diferenças familiares; esse é um momento crítico porque eles podem querer defender e eleger a sua família de origem como o melhor modelo a ser seguido, se forem capazes de priorizar seu casamento sem romper com suas famílias de origem e nem deixar que eles os separem, serão capazes de se diferenciarem e fazer concessões sem dor e formar seus próprios valores familiares; família, amigos e parentes podem servir de grande apoio ao casal, principalmente nos pontos críticos do casamento. PATERNIDADE E MATERNIDADE: em alguns casamentos a vinda do filho é planejada, em outros não, a crise pode se instalar se a tarefa parental não for bem distribuída e nem suficientemente flexível para suportar uma casa, um casamento ou uma carreira; conforme os filhos vão crescendo os conflitos também vão se transformando ou aumentando; a adolescência é uma fase complicada para o casal, conforme lidaram com sua própria adolescência podem ou não superar todas as semelhanças de comportamento que o adolescente apresenta e faze-lo crescer pode não ser uma tarefa fácil. Esse ponto crítico é muito perigoso, pois levanta emoções fortes demais para se querer ficar nesse casamento. A DIMINUIÇÃO DO SEXO: normalmente, na fase romântica do casamento a sexualidade e o sexo tem importância maior nas preliminares, o sexo é algo divertido e prazeroso, mas pode funcionar de forma diferente, conforme a educação que receberam. Quando o sexo é tratado como uma forma de manter o casamento vai gerando incômodo e distanciamento entre o casal, resultando em crises. ATINGIR O TOPO: uma das crises da meia idade diz respeito a atingir o topo, que é a fase em que as pessoas fazem um balanço de sua vida. Nas mulheres pode coincidir com a menopausa, podem sentir que sua feminilidade está em declínio. Porém podem ver como possibilidades de realizarem algum sonho que ficou para traz. É uma fase para fazer uma avaliação de como querem viver o resto de suas vidas. Assim como, há pessoas que preferem deixar para pensar sobre tudo isso em outro momento querendo apenas “aproveitar a vida”, é a chamada menopausa masculina. O modo como irão reagir perante o outro depende da forma como encaram esta fase. Aceitar essa fase de declínio como algo natural é descer o morro e alcançar seu bem-estar ou felicidade. O NINHO VAZIO: a síndrome do ninho vazio atinge principalmente a mulher grisalha na menopausa que sempre se dedicou exclusivamente ao lar e, agora seus filhos saíram de casa. Essa é uma fase complicada onde ela se vê num dilema com apenas duas opções: aproximar-se mais do seu marido ou envolver-se mais com sua carreira e se não tiver nenhuma atividade, começar alguma. Qualquer que seja sua decisão encontrará perigos e dificuldades. Este é um momento em que o homem corre mais riscos de ser infiel, assim como ela. OS FATOS DA VIDA: embora este seja o ultimo período ou ponto crítico, nem sempre coincide com a crise da meia idade. É o período relacionado à identificação com o envelhecimento ou com um genitor moribundo e o reconhecimento da morte. O conflito ocorre porque, normalmente, um dos cônjuges envelhece primeiro e o outro começa a vê-lo como uma pessoa de meia-idade. É um momento que as pessoas percebem que estão ficando parecidas com seus pais, começam a ficar incapazes e podem morrer a qualquer momento. Para quem não consegue ficar à vontade com seus pais e só conseguem se rebelar comportando-se como um adolescente só resta escapar do parceiro envelhecido tendo um caso ou pelo divórcio.

Esses pontos críticos são propícios e perigosos para acontecer um caso, pois, trazem desconforto e pânico. As pessoas que não conseguirem mudar e lidar com o ciclo natural da vida podem negar a realidade tendo um caso.

CAP. 07 – A SITUAÇÃO DOS CASOS EM NOSSO MUNDO 

Neste capítulo o autor aponta um estudo sobre casos, a partir de seus atendimentos, como não houve uma entrevista específica, achou interessante separa-los em categorias: 1) caso inicial – quando o caso acontecia nos primeiros dois anos de casamento. 2) entre o segundo e o décimo ano. 3) depois de dez anos de casamento. Os casos secretos que aconteceram nos primeiros dois anos de casamento eram quase todos masculinos. As principais características eram: pareciam não gostar do casamento; gostavam de sexo e não de mulheres; nenhum deles que se divorciou casou-se com a amante; não acreditam no casamento; aqueles que se divorciaram e casaram-se novamente tiveram outros casos.

Foram muitas as razões apresentadas para a infidelidade, algumas superficiais e ingênuas e outras complexas e falíveis. Os adúlteros amadores escolhiam as pessoas para seus casos de forma aleatória, porém pessoas conhecidas. Os adúlteros profissionais descobriam seus parceiros de casos em qualquer lugar que passavam. Dos 100 casos de infidelidade atendidos pelo autor, foram divididos em 4 grupos variáveis, com base na direção da energia emocional, são eles: 1-infidelidade acidental; 2-namoro; 3-casos românticos; 4-arranjos conjugais.

A infidelidade conjugal acidental diz respeito aos atos sexuais não-planejados que deixam todos desorientados; suas emoções primárias são a culpa e a ansiedade. O namoro é a atividade sexual habitual que parece natural para o namorador, é motivada mais pelo medo e desejo em relação ao sexo oposto do que qualquer outra força dentro do casamento ou pelo relacionamento sexual imediato; sua emoção primária é a raiva, despersonalizam o parceiro, sua meta é a vitória sobre o sexo oposto. Os casos românticos são estados de louca paixão que enevoam as mentes das pessoas e as fazem esquecer seu casamento e sua família; sua energia emocional é voltada para o romance. Os arranjos conjugais são tentativas de manter distancia, que é desejada por um dos parceiros, o sexo acontece fora do casamento, mas a energia ainda se dirige a ele; a energia emocional está no casamento e, as emoções especificas podem ser muito complexas, existem muitos padrões diferentes de arranjos conjugais e, muitos não são realmente infidelidade no sentido de que não são secretas.

CAP. 08 – INFIDELIDADE ACIDENTAL ( Simplesmente Aconteceu) 

A infidelidade acidental acontece com pessoas que não estavam à procura de um caso e nem esperando por ele, mas que acabou acontecendo. Normalmente essas pessoas têm um casamento insatisfatório ou frustrante, mas não a ponto de deixa-lo e nem tem intenção de continuar com o caso por muito tempo. Um infiel amador quando se dá conta do acontecido provavelmente sentirá pânico. O medo está em ser descoberto e nas sérias consequencias que poderiam acarretar em seu casamento. Se ele preferir guardar segredo terá que se ajeitar sozinho e sofrer com o ato sexual acidental. Contudo, o autor, recomenda que a melhor coisa a fazer é assumir toda a responsabilidade pelo que aconteceu e desculpar-se. Isso resultaria numa crise conjugal, mas teriam a chance de tornar o casamento muito melhor ou satisfatório e até mais intimo. Ao cônjuge traído restaria vivenciar todo o sentimento que pode gerar, como: raiva, frustração, decepção, insegurança e humilhação. Todas essas expressões de emoções e sentimentos servem para deixar claro o quanto está magoado. Cabe ao infiel assumir a responsabilidade mostrando o quanto se importa com o casamento, com a fidelidade e com a intimidade.

Acidentes acontecem e podem acontecer com qualquer um, o perigo é a forma como irá manejar tudo isso. O segredo pode conduzir a outros casos e a um divorcio desnecessário.

CAP. 09 – NAMORO: A BATALHA DOS SEXOS 

Os namoradores são pessoas que estão sempre mudando de parceiro. A maioria dos namoradores são formados por homens obcecados pelo gênero feminino e não acreditam na monogamia, fidelidade ou arranjos conjugais. Exercitam sua masculinidade através das conquistas sexuais. Não gostam de mulheres, ao contrario, sentem raiva delas, usam a sedução para demonstrar seu poder e, se sentirem ameaçados ou assustados podem ser hostis e cruéis com elas, mesmo os amistosos e charmosos na sua sedução podem despersonaliza-las ao trata-las como se fossem substituíveis e permutáveis. Para eles não há nada de errado em seu comportamento, chegam a acreditar que são invejados e admirados por todos os homens e, muitas vezes são. Como a monogamia não é algo aceitável, não são bons para o casamento. O temor pela mulher pode fazer com que um namorador casado, sinta-se insuficientemente masculino e procure fora de casa se reassegurar. Um namorador pode se dar muito bem com todos, amigos e familiares, mas não com sua esposa. Ele tem certeza que ela é a mais patética e incapaz de desconfiar de algo. Muitos namoradores querem mais as conquistas sexuais do que o divorcio, pois, não gostariam de perder o que tem: filhos, bens materiais, status, por isso quando estão em algum evento social portam-se com toda a educação e polidez. Esses namoradores não perdem qualquer tipo de investida feminina, isso equivaleria a não ser homem. O autor tece diferentes padrões de namoradores, são eles: os charmosos, os amistoso, os heróicos, os psicóticos, os hostis, os que tem o sexo como hobby, os limítrofes, os impessoais, os gays.

A maioria das mulheres que tentam seguir a carreira de namoradores, que é predominantemente masculina acabam fracassando por se apaixonarem. Por mais que sejam promiscuas, são românticas. Existe um numero de mulheres namoradoras que utilizam da sedução hostil, seu desejo é controlar os homens e, quanto mais hostil for o homem melhor e, é capaz de manter um bom relacionamento com esse tipo de parceiro. Geralmente não são casadas e não gostam de homens. Normalmente se envolvem com homens casados até conseguirem estragar seu casamento e sua vida, depois abandona-o e humilha todas as pessoas envolvidas inclusive a esposa dele, ela odeia o casamento.

Namoradores procuram mulheres atraentes sexualmente para ele e para outros homens para serem suas esposas, mas que não gostem muito de sexo; normalmente são mulheres que dão excessiva importância à aparência física e não são muito inteligentes; eles sentem-se ameaçados tanto pela competência quanto pela sexualidade dela; fazem de tudo para que a infidelidade não seja descoberta, pois, a revelação de um segredo seria muita humilhação, não pela culpa do caso, mas, por não ter conseguido manter segredo.

O namorador não tem uma vida nada fácil, monótona ou calma ele vive fazendo jogos de sedução dentro e fora de casa. É nesse terreno de guerra que sente-se mais forte e másculo. Sua vitória é manter o controle sobre sua esposa enquanto seduz outras mulheres.

O autor questiona sobre o que o namorador poderia fazer para mudar seu comportamento. O namorador é como um viciado e como tal necessita de apoio. Para o namorador, dar uma chance à monogamia não seria apenas parar com suas investidas extraconjugal, mas teria que rever tudo que pensa sobre gênero, igualdade, honestidade e intimidade, principalmente no contexto conjugal. Quando uma mulher decide casar com um namorador deve ter o cuidado de manter distanciamento conjugal no casamento, ela precisa saber que é temida como um inimigo, e ele estará sempre alerta para qualquer tentativa de controle sobre ele. O que resta a ela é cuidar da própria vida, dando a ele a liberdade que deseja e cuidar da sua auto-estima. Qualquer tentativa de controle só irá piorar ainda mais a situação e fará instalar uma crise conjugal. Outra saída é ela sair desse casamento, se deseja outro tipo de relacionamento conjugal.

CAP. 10 – CASOS ROMANTICOS: INSANIDADE TEMPORÁRIA 

O autor afirma que a paixão tem pouco a ver com amor e mais com a insanidade temporária. Os românticos buscam uma forma irreal e intensa de viver, correm riscos em nome da paixão e não se preocupam com nada, nem com ninguém além da pessoa por quem se apaixonaram. Na adolescência observamos como a paixão é vivida com intensidade, são capazes de qualquer coisa em nome da paixão. Porém é na adolescência que se praticam os flertes e os namoros para o casamento. O estado de paixão é vivido como uma insanidade pela falta de discernimento, pelas atitudes e comportamentos que os apaixonados românticos vivem. Nos adultos a paixão acontece em momentos de transição em que a mudança é algo a ser evitada.

Os românticos buscam sua segurança no irracional, na fantasia fazendo sacrifícios para provar seu “amor” e recebendo sacrifícios do outro. Quando não são correspondidos é ainda mais loucamente romântico. Adultos vivem estados de paixão como uma forma de reviver a adolescência, fugir do seu aborrecido e monótono mundo dos adultos. Romance e casamento são duas coisas que não combinam. O romance é fantasia e loucura, o casamento leva as pessoas a se estabelecerem e constituírem suas famílias de uma forma satisfatória, real, segura, tranqüila com um objetivo claro e real de buscar a felicidade. Um casal adequado pode fazer uso das lembranças do tempo da adolescência sempre que precisarem de romance e podem sabiamente se divertir com tudo que passaram juntos e sentem-se satisfeitos por estarem além daquilo tudo. Porém, há casais que se casam na esperança de perpetuarem a paixão, essas pessoas amam mais a paixão do que o parceiro. Quando a paixão acaba sentem-se traídos e magoados, ficando furiosos com o casamento a ponto de destruí-lo e buscar um novo romance. Eles não conseguem aceitar uma parceira feita de companheirismo, amizade. Os românticos moderados conseguem manter-se num casamento plácido, aproveitável e agradável mesmo tendo a sensação de que lhes falta algo. Mesmo as pessoas menos românticas ou não românticas passam por isso em algum momento de suas vidas, podem sentir falta de uma aventura adolescente, mas, não concretiza-la. Existem pessoas que utilizam casos românticos para se livrarem de uma depressão que pensam ser por falta de terem alguém para amar e isso pode ser perigoso pela falta de senso de realidade. Românticos são mais perigosos do que namoradores, pois, estes não querem alguém para amar e ser amado como o romântico imagina encontrar.

Por isso ao cônjuge traído resta esperar que o romance passe ou termine seu casamento e continue sua vida. Se optar em ficar no seu casamento nada mais lhe restará do que ficar aguardando pacientemente, pois nada que faça fará alguma diferença ao infiel. Ao infiel só existe a paixão, enquanto durar, normalmente não dura muito tempo e, depois restará ao infiel lidar com os insultos e a rejeição, pois, quando o romance passar o outro parceiro do romance não fará nada para ficar e cuidar das feridas causadas pela rejeição.

CAP. 11 – ARRANJOS CONJUGAIS 

Existem problemas conjugais que, à primeira vista, a solução seria ter um caso, assim como, existem pessoas que pensam que a única solução para se manterem no casamento infeliz seria ter um caso. Um caso até poderia trazer uma certa estabilidade no casamento, mas uma estabilidade do problema conjugal que é deixado de lado, o que o torna insolúvel. Assim, um casamento infeliz seria um bom álibi para se ter um caso, esse é um movimento típico do romântico. Nenhum casamento vive apenas de romance, existem casais que decidem ficar casados pelos filhos, por dinheiro, pelo status ou por outra coisa e isso não é errado e também não significa que seja um casamento infeliz, pois, muitos buscam maneiras de torna-lo confortável, buscando mais intimidade e proximidade, outros buscam ter um caso para torna-lo suportável.

Arranjos conjugais em que uma terceira pessoa é usada para estabilizar o casamento, pode, de alguma forma estabiliza-lo. O autor mostra tipos de arranjos conjugais em casamentos infelizes, a seguir alguns arranjos conjugais citados pelo autor: Permanente Separação : é o estado que se encontram os homens em “processo de separação”, não se sentem casado, mas também não estão divorciados ou livres para um novo casamento; utilizam o casamento para se protegerem de compromissos e continuam fazendo aquilo que mais gostam, conquistar mulheres. O Triangulo Permanente : é quando existe um amante permanente que protege o cônjuge da intimidade de seu casamento. Apenas Fazendo Compras : são pessoas que simplesmente decidem que são infelizes no casamento e saem à procura do parceiro ideal, experimentam todos que condizem com seu ideal, mas sempre encontra um defeito; não se separam e não fazem nada para mudar a situação, sempre acreditam que o problema conjugal é temporário até encontrarem o parceiro ideal, e só assim poderão sair do casamento. Enfermeiro Psiquiátricos : são pessoas que se casam com parceiros que necessitam de muitos cuidados, mas com o passar do tempo eles próprio necessitarão de ajuda, daí buscam um parceiro de caso; seus casos não serão eróticos e nem românticos, pois tem como finalidade ser um caso para um apoio, normalmente são casos duradouros. Importando Amor : normalmente acontece com mulheres, são esposas solitárias que não tem interesse em deixar o casamento. Esses casos podem ser muito românticos, porém não muito sexuais, elas procuram homens educados, cortês, atenciosos e, normalmente alguém que já conheça, um antigo namorado, um amigo muito próximo, enfim, alguém com quem tem uma história de amizade e entendimento.

CAP. 12 – INFIDELIDADE E DIVÓRCIO 

Na história da grande maioria dos casamentos que terminam em divórcio tem um caso de infidelidade, seja ele secreto ou não. Casamentos estruturados ou bem estabelecidos não terminam em divórcio. O divórcio não acontece porque o casamento vai mal, mas porque ele foi desfeito. Nos casos de infidelidade o divórcio é algo questionável, pois nem sempre o divórcio é o objetivo a atingir. Muitas vezes o infiel não deseja o divórcio, muito embora saiba do risco que corre tendo um caso. Assim como, há casos em que o divórcio aconteceu num ato impensado de desespero pela infidelidade praticada. Contudo, nem sempre é a saída para manter a distancia entre o casal. Normalmente o pedido de divórcio parte do infiel. O divórcio, em praxe, é muito dolorido para as parte, porém, essa dor é necessária para que se cumpra a finalidade de acabar com o casamento e ambos aceitarem o fato de que daquele momento em diante deverão se preparar para um outro tipo de vida e, quem sabe com outra pessoa. O autor cita vários tipos de divórcio: divórcio acidental, um quase divórcio acidental, namoros no divórcio, divórcios românticos, arranjos de divórcio.

CAP. 13 – DO ROMANCE AO RECASAMENTO 

Para o autor, seria de se esperar que pessoas que já foram casadas fizessem escolhas sensatas e mais maduras de parceiros para um próximo relacionamento. Porém, não é isso que acontece, a seguir os defeitos dos segundos casamentos românticos: intervenção da realidade, culpa, disparidade de sacrifício, expectativas, desconfiança geral do casamento, desconfiança do parceiro de caso, lealdades divididas, a natureza dos infiéis, a natureza dos parceiros de caso, romance, infiel como bode expiatório e história não compartilhada. Ele também cita algumas características de casos que acabaram dando certo no casamento: 1)os infiéis estavam casados com pessoas violentas e com algum tipo de vício; 2)os infiéis não haviam tido caso anteriormente e apresentavam uma história de fidelidade conjugal e exclusividade sexual; 3)o caso não começou como um relacionamento secreto, eram amigos ou colegas de trabalho, conheceram-se bem antes do contato sexual; 4)não eram pessoas românticas, a intimidade emocional foi crescendo devagar e haviam tomado suas decisões sobre o casamento; 5)os novos parceiros estavam dispostos a assumirem a culpa e responsabilidade pelo rompimento do casamento, não culpavam ninguém; 6)essas pessoas viveram a perda do casamento e pararam para refletir sobre o recasamento; 7)essas pessoas demoraram para casar novamente, pois, priorizaram o apoio que deveriam e desejavam ter de suas famílias.

O autor defende que os casais que passam pelo divórcio deveriam, antes de se envolverem em um outro relacionamento, experienciar a perda do casamento e a dor do divorcio, e tudo que fizer parte da realidade para estarem prontas para receber o outro que deseja lhe dar amor e, não deveriam se envolver com ninguém que não tenha passado pela mesma experiência do divorcio.

CAP. 14 – O QUE AS CRIANÇAS IRÃO PENSAR? 

Normalmente as pessoas que tem casos pensam que estão traindo apenas o cônjuge, porem, para os filhos essa é uma situação à qual jamais poderiam imaginar que poderiam, um dia, passar. É uma traição à família e a tudo o que os filhos imaginavam e idealizavam da vida futura: a estabilidade de uma família. A separação desorienta e desorganiza uma família, muitas vezes os filhos sentem-se culpados pela separação dos pais e impotentes diante da situação. O impacto da separação dos pais pode assumir proporções de tragédia. O pior de tudo é quando o filho compartilha o segredo da infidelidade com um genitor, essa é uma situação parecida com o incesto, o filho fica preso no segredo sexual e dividido em sua lealdade. Como resposta a essa situação desorientadora e desesperadora desenvolvem sintomas. Esses sintomas, também, podem ser uma forma de aproximarem os pais ou de não se falar mais em divorcio. E, quando isso não funciona muitos se afastam dos pais buscando algum tipo de apoio fora da família, normalmente em grupos de usuários de drogas e de comportamentos anti-sociais.

A tragédia de um divórcio não tem uma idade específica para se dizer que seja a pior fase para se separar, mas, segundo o autor a adolescência parece ser uma fase especialmente delicada, pois, os jovens estão se formando e se transformando sexualmente e, pensar que os pais não têm controle sobre o sexo pode ser muito assustador, como também estimulador e permissivo.

Em muitas famílias, depois que o cônjuge infiel sai de casa, começa uma outra situação desorientadora, que é aquela em que os filhos que acabaram ficando do lado do traído se vêem traídos pelas artimanhas que o mesmo faz para trazer o infiel de volta para casa. O divorcio pode gerar situações tão conflituosas quanto confusas, ambivalentes, desorientadoras e desorganizadoras. De qualquer forma, são os filhos do divorcio os que mais sofrem.

Um dos problemas de não se lidar abertamente com as questões de infidelidade, em família, é deixar que os filhos entendam que a infidelidade e o divorcio são coisas normais num casamento e que o casamento é algo impossível, isso pode fazer com que desistam do sexo oposto. O divorcio e a infidelidade são situações que fazem minar todas as fantasias de amar, casar, formar uma família e ser feliz para sempre. O resultado do que ficou da infidelidade e do divorcio virá mais tarde, pois tudo depende do modelo que os filhos escolheram para eles se o modelo do infiel, do parceiro de caso ou do parceiro traído. Existem exceções, que são os filhos que escolhem que não querem ser como ninguém dessa tragédia, escolhem ser diferentes. Esses filhos devem saber que o que aconteceu com os pais não é algo normal, mas que aconteceu e que podem sobreviver a essa tragédia. È necessário que saibam o que está acontecendo de verdade. O perigo de saber aos “pedaços” é dar a eles importância que, de verdade, não tem, a história da família deve ser do conhecimento e interesse de todos. Cabe aos pais passarem as informações necessárias aos filhos e a ajuda-los a passarem por essa fase de transição e mudança de forma esclarecedora. Isso é necessário para que os filhos possam compreeender o que aconteceu, fazer contato com as dores de forma aberta e clara, para mais tarde poder aceitar e perdoar os pais.

CAP. 15 – QUANDO A MONOGAMIA FUNCIONA 

O autor apresenta dez avisos a quem queira praticar a monogamia ou a quem já foi infiel e gostaria de se tornar monogâmico:

1)Case com uma pessoa sensata que goste de você, que tenha amigos não-sexuais de seu gênero e que seja amigo de seus próprios pais;

2)Esqueça tudo o que você pensou que sabia a respeito do sexo oposto; tudo aquilo que você precisa saber sobre a experiência do gênero e sexo do seu parceiro pode e deve ser aprendido com ele;

3)Deixe claro o acordo entre você e seu cônjuge sobre o que é e o que não é uma infidelidade; a fidelidade é algo que você faz pelo seu casamento e não porque seu parceiro exige;

4)A fidelidade é uma decisão;

5)A honestidade é o fator central na intimidade; não existe nenhuma verdade que seja tão destrutiva quanto qualquer mentira;

6)Compartilhar um segredo com alguém e esconder isso de seu parceiro é particularmente perigosos;

7)Se você está fazendo alguma coisa e sente que devera mentir a respeito, sua culpa está lhe dizendo para parar de fazer; é melhor controlar suas atividades do que controlar o acesso das pessoas a elas;

8)A revelação de uma infidelidade é mais chocante e assustadora naqueles casamentos que pareciam perfeitos; revele suas imperfeições humanas em casa para poder ser compreendido e amado, provavelmente, também não seria venerado por sua perfeição de modo que não se perde nada;

9)O propósito do conflito conjugal deve ser compreender as questões e as emoções, e não determinar quem é o vencedor; as pessoas que precisam provar que estão certas não estão tentando ser entendidas; é impossível ter razão e ser casado ao mesmo tempo;

10)Saiba que casos podem acontecer, podem ameaçar a sua vida e devem ser encarados seriamente; a infidelidade é a loucura de seu parceiro não a tome pessoalmente.

Aos que estão sendo infiéis, o autor aconselha que se coloque à mercê de sua família, pois, se for alguém que se valha a pena é quase certo que a família escolherá ficar com ele. Daí caberá ao infiel retomar um estilo de vida diferente, não poderá mais mentir e terá que repensar e questionar todos os aspectos de sua vida, inclusive aqueles que jamais teria questionado. Aos parceiros de caso, a melhor coisa a fazer é sair de cena, pois, serão os culpados de tudo e ninguém sairá em seu socorro. Àquelas pessoas que sabem de alguém que tem um caso e não sabem o que fazer com essa informação, o autor aconselha primeiramente falar ao traidor e deixar que ele próprio tome as providencias de revelar ao cônjuge traído. O autor coloca que se o traidor não contar e caso você goste muito do traído, então deve contar, pois omitir essa informação não ajudará ninguém, muitas vezes acontece do casal estar sabendo que o outro tem um caso, mas ninguém sabe, dessa forma mantém em sigilo também como forma de não ter que lidar com isso abertamente, nesse caso apenas conte e não tome nenhum partido e nem conspire contra ninguém, eles podem estar precisando de um bode expiatório e você pode ser o inimigo esperado. Aos que estão sendo traídos, seu casamento está em suas mãos, salvar um casamento requer sacrifícios, ser tolerante mais do que o traidor possa merecer, seu cônjuge infiel pode querer recompensa-la de todas as formas, mas não há nada que apague o débito, então, o melhor a fazer é esquecer a raiva, o desejo de punir, a rejeição, não se culpe pelas ações do outro, tudo isso impede a reconciliação, busque e imagine um outro futuro para vocês, considere seu parceiro diferente. Mas não se esqueça de que ele é seu parceiro, portanto tem voz ativa no casamento. Se seu parceiro que foi infiel, sente-se muito culpado pelo que fez, isso é um ótimo sinal, pois ele fará de tudo para que tudo dê certo, procurará conservar a honestidade e a intimidade entre vocês, procurando assim, restabelecer a confiança entre o casal. A confiança de poderem falar tudo, sem medo, faz com que sintam-se seguros o bastante para não guardar segredos um do outro e assim, buscarem a felicidade que tanto se almeja.

Apreciação pessoal sobre o livro

É um livro de fácil compreensão, o autor trata de um assunto tão polemico, infidelidade, de forma objetiva e clara. Ressalta que a situação de infidelidade é muito complicada e, que trata-la abertamente com o parceiro traído parece ser a saída mais saudável e adequada para se buscar uma nova forma de viver e conquistar a confiança do outro. Acredito que, ainda, a infidelidade é vista como sinônimo de divórcio, talvez por isso seja difícil fazer reverter essa situação, mas não é impossível. É uma situação delicada, pois, trata-se da quebra de confiança e fazer com que se restabeleça a confiança novamente é um trabalho árduo, tanto do traído quanto do traidor. Como terapeuta de casal acredito que vale a pena investir na relação enquanto houver o desejo do casal de estarem juntos. Como o autor, acredito que o divórcio não seja a solução de todos os problemas de infidelidade, assim como, nem todos os casais que se divorciam sabem das conseqüências de um divorcio decidido num ato de desespero e raiva. Todo casamento passa por crises justamente porque as pessoas envolvidas têm que se ajustar fazendo acordos, contratos, concessões, dando e recebendo e tudo o mais que necessitem para que tracem objetivos comuns e invistam nessa caminhada de mãos dadas.

Nome do autor da resenha e data: Katsue Nagata – Dezembro/ 2004.

Fonte: http://www.srosset.com.br/resenhas/mentiras-privadas.html