Perdoe-me

Perdoe-me

(Confessado por Gustavo Rocha, em 04 de Abril de 2021, Data da simbologia de Páscoa)

Perdoe-me por nem sempre entrar em contato,

Nunca é por desídia, 

Mas, pode ser por correria, trabalho, dia a dia,

Pode ser por eleger outras necessidades.

Sim, Você é minha prioridade,

Entretanto, tantas vezes preciso de outras para sobreviver,

E sempre que de Ti me recordo (embora admita nunca esquecer),

Lembro que somente através de Ti posso viver.

Perdoe-me se nem sempre fui eu mesmo com meus irmãos,

Tantas vezes pensamos que devemos devolver o que dos outros recebemos,

Esquecemos que de Ti recebemos o Amor Maior,

E Dele devemos devolver o recebido e passar recibo;

Perdoe-me por não acreditar em mim através dos Teus Olhos,

Num mundo tão cheio de outros olhares, 

Bastaria lembrar do Teu discernimento, ensinamento e verdade,

Contudo, por vezes, preferimos a vaidade.

Perdoe-me, Pai, Filho e todo Espírito Santo,

Pois se pouco sei,

Sei que o Perdão é o Amor Maior que nos foi ensinado,

Posto que até crucificado, Perdoou e Amou quem havia maltratado.

E, por hoje compreender um pouco mais sobre Amor e Perdão,

Exalto esta data com toda minha compaixão,

Para não perder na simbologia de animais, chocolates e desejos etéreos:

Quero Amor e Perdão sinceros.

Convido, neste Bom Dia Pascal um olhar diferente,

Ao amigo, colega, irmão, pessoa, animal ou ser vivo latente ao lado, ao redor ou próximo,

Pense em quem é, por que é, sua relação, relacionamento e sentimento,

E pelo menos exerça três raciocínios e uma conclusão a respeito:

  1. Esta pessoa eu amo ou perdoo?
  2. Se amo ou perdoo, já disse, exarei, demonstrei, declarei a ela isto?
  3. Independente da resposta da pessoa, o que sinto é verdadeiro, sincero e validado por minha razão, sentimento e criança interior?

E assim concluo:

Eu amo. Com todo meu sentimento, axioma, carinho e valido isto a todos instantes da minha caminhada terrena.

Eu perdoo. Com toda minha força, imperfeição e até benevolência.

E desejo a você que recebe este amor e carinho nesta data tão ímpar da nossa existência,

Que Ame, Perdoe e principalmente exerça a condição inexorável de demonstrar o que sente, sem nenhum repente.

Feito está o convite, vivente.

Ame, Perdoe e exerça sua fé, crença e verdade.

Não se acanhe, avexe ou deixe pra depois.

E não esqueça de Quem está com você sempre, desde sempre, antes, agora e depois.

A acepção completa

A acepção completa

(Escrito por Gustavo Rocha em 02 de Abril de 2021)

Para alguns, a crença de Cristo crucificado,

Outros apenas um feriado,

Outros ainda não sequer se importam,

Entretanto, no meu peito pulsa, arde e dita um significado:

Daquilo que Ele representa,

Seja no perfil religioso,

Seja no histórico:

O amor verdadeiro havia nesta data acabado;

Todavia, na sua ressurreição a vitória da simbologia mais profunda,

Vencer a morte em prol da vida eterna,

Modelo de que nada devemos temer,

Independente de compreender;

E, neste bom dia singular,

Numa sexta-feira santa,

Verdade a exalar:

Que o amor seja a força motriz da sua essência,

Mesmo que tudo possa parecer diverso como em revés;

Uma vez que no e através da crença temos base para lutar,

Na compreensão e empatia coragem para transformar,

No carinho e delicadeza molde de como lidar,

E nas palavras, atitudes e demonstrações da vida de quem escolheu os espinhos para nos salvar,

A acepção completa do que realmente significa amar.

Tristeza não é doença

Tristeza não é doença

Por que os brasileiros são os maiores consumidores mundiais de antidepressivos, ansiolíticos e remédios para dormir?

Mirian Goldenberg

Acordei em um sábado cinza e chuvoso. E escrevi: “Hoje eu acordei triste.Na verdade, hoje eu acordei mais triste.Todos os dias eu acordo e vou dormir triste.

Mas hoje a minha tristeza é ainda maior.

Uma tristeza sem esperança, sem lágrima, sem nada.

Somente triste.Uma tristeza que já desistiu de ser alegre.

Uma tristeza muito cansada de ser triste.

Uma tristeza sem saudade de um tempo que não volta mais, que também era triste, muito triste.

Uma tristeza exaurida pela dor, pânico e desespero.Uma tristeza que se alimenta da solidão, do sofrimento e da impotência.

Uma tristeza velha, muito velha, desde criança sempre triste.

Uma tristeza resignada, que sempre foi e sempre será triste.

Uma tristeza que sabe que é impossível ficar alegre hoje e amanhã.

Hoje eu acordei triste”.

Compartilhei o texto nas minhas redes sociais e recebi um bombardeio de mensagens: “Você precisa urgentemente se tratar, procurar ajuda, ir ao psiquiatra e tomar algum remédio para curar essa tristeza. Você não pode se entregar à depressão, ao desespero e à angústia. A tristeza é perigosa, faz mal à saúde”.

“Senti um alívio enorme ao ler o seu texto sensível e corajoso. Até chorei. Eu me senti menos só. Também estou muito triste, e sofro uma enorme censura e repressão quando digo que estou triste. É proibido falar de tristeza aqui em casa. Parece que tenho uma doença grave e contagiosa”. “Desde quando tristeza é sinônimo de doença? Estou triste porque não consigo ter esperança no amanhã. Estou triste porque não acredito mais que essa tragédia vai passar. Não consigo imaginar que um ser humano consiga rir, brincar e gozar no meio desse horror, a não ser que seja um sádico genocida”.

Muitos perguntaram: “O que aconteceu com você?”, como se eu precisasse explicar ou justificar a minha tristeza por algum motivo pessoal. Estou triste, profundamente triste, como milhões de brasileiros estão. Como tantos que estão impotentes, exaustos, massacrados, sufocados por tanto ódio, violência e perversidade. Em uma cultura em que existe uma ditadura da felicidade, a obrigação e o imperativo de ser feliz mesmo em tempos de horror, sentir-se triste é um exercício da liberdade de resistir ao egoísmo, à mentira e à maldade. Não irei esconder a minha tristeza em um armário, pois não tenho vergonha dela. Na verdade, depois de provocar tantas reações, ela se tornou ainda mais poderosa, empática e generosa. Mais humana!Tristeza não é frescura. Tristeza não é mimimi. Você também está triste?

Antropóloga, professora da UFRJ e autora de “Liberdade, felicidade e foda-se!”