Um gesto tão simples…

Um gesto tão simples…

 

Quem poderia imaginar que um gesto tão simples pudesse determinar o destino de uma vida?

Normalmente, o noticiário nos fala de heróis que, com risco da sua própria vida, se jogaram nas águas da inundação para salvar alguém prestes a se afogar ou ser levado de roldão, pela enxurrada bravia.

Ou dos heróis que se lançaram em meio às chamas, resgatando uma vítima prestes a morrer sufocada pela fumaça ou consumida pelo fogo.

São fatos que nos emocionam e nos fazem meditar a respeito do desprendimento dessas criaturas, da sua coragem. E do efeito benéfico para quem foi salvo.

No entanto, um canadense, sem sequer pensar nas consequências positivas do seu gesto, salvou a vida de um desconhecido, alguém que jamais viu.

Esse cidadão, que se considera muito rico e feliz por ter casado com o amor da sua vida e ter quatro filhos maravilhosos, adotou, há bastante tempo, o lema de fazer o dia de outra pessoa feliz.

Assim, duas vezes na semana, quando compra o seu café em um drive-thrulocal, ele deixa pago um café e um bolinho para a pessoa seguinte na fila.

Sua única exigência ao caixa é que diga à pessoa premiada que ela tenha um bom dia.

O jornal Durham Region, de Ontário, no Canadá, certo dia, recebeu uma carta anônima, na qual o remetente contava que alguém havia pago o seu café e lhe desejado um bom dia através do caixa.

Dizia o autor da carta que a sua vida estava tão ruim que ele decidira não viver mais.

Definira acabar com a sua existência naquele mês. Mas escrevia: Eu me perguntei por que alguém compraria café para um estranho sem motivo algum.

Por que eu? Por que hoje? Se eu fosse religioso, tomaria isso como um sinal.

Esse ato aleatório de bondade foi dirigido a mim naquele dia com um propósito.

Surpreso com o gesto, ele se sentiu inspirado e decidiu ajudar a algum estranho.

Naquele dia, auxiliou sua vizinha descarregando as compras do carro, levando-as, de forma segura, para dentro da casa dela.

Um verdadeiro contágio do bem.

Finalmente, o anônimo encerrava com um agradecimento:

Cara gentil da caminhonete: obrigado do fundo do meu coração. Saiba que o seu gesto de bondade salvou uma vida.

Esse dia foi um dos meus melhores.

O jornal não somente publicou a carta, como uma demonstração de algo muito positivo, quanto pesquisou até chegar no beneficiário: Glen Oliver.

Ao ser entrevistado pelo Buzzfeed Canadá, Oliver disse que chorou ao saber da consequência de algo que ele faz, por gratidão à vida, há tanto tempo.

Quem poderia imaginar que algo tão simples pudesse dar tal reviravolta em uma vida prestes a se acabar?

*   *   *

O fato nos leva a pensar quantas vezes já iluminamos a vida de alguém, tornamos o seu dia mais feliz com um sorriso, um cumprimento, um agradecimento.

Quantas vezes ao manifestarmos nossa gratidão ao atendente do comércio não lhe teremos amenizado as horas do trabalho exaustivo.

Pensemos nisso.

E se a consciência nos disser que não costumamos sorrir, nem agradecer, nem dar uma flor a alguém por coisa nenhuma, que tal começarmos agora?

Redação do Momento Espírita, com
base em fato noticiado no site
www.sonoticiaboa.com.br de 8.2.2018.

Honestidade

A história é comovente. Fala de uma honestidade a toda prova, e é contada por Vladimir Petrov, jovem prisioneiro de um campo de concentração no nordeste da Sibéria.

Vladimir tinha um companheiro de prisão chamado Andrey.

Ambos sabiam que daquele lugar poucos saíam com vida, pois o alimento que se dava aos prisioneiros políticos não tinham por objetivo mantê-los vivos por muito tempo.

A taxa de mortalidade era extremamente alta, graças ao regime de fome e aos trabalhos forçados. E como é natural, os prisioneiros, em sua maioria, roubavam tudo quanto lhes caía nas mãos.

Vladimir tinha, numa pequena caixa, alguns biscoitos, um pouco de manteiga e açúcar – coisas que sua mãe lhe havia mandado clandestinamente, de quase três mil quilômetros de distância.

Guardava aqueles alimentos para quando a fome se tornasse insuportável. E como a caixa não tinha chave, ele a levava sempre consigo.

Certo dia, Vladimir foi despachado para um trabalho temporário em outro campo. E porque não sabia o que fazer com a caixa, Andrey lhe disse:

Deixe-a comigo, que eu a guardo. Pode estar certo de que ficará a salvo comigo.

No dia seguinte da sua partida, uma tempestade de neve que durou três dias tornou intransitáveis todos os caminhos, impossibilitando o transporte de provisões.

Vladimir sabia que no campo de concentração em que ficara Andrey, as coisas deviam andar muito mal.

Só dez dias depois os caminhos foram reabertos e Vladimir retornou ao campo.

Chegou à noite, quando todos já haviam voltado do trabalho, mas não viu Andrey entre os demais.

Dirigiu-se ao capataz e lhe perguntou:

Onde está Andrey?

Enterrado numa cova enorme junto com outros tantos prisioneiros, respondeu ele.

Mas antes de morrer pediu-me que guardasse isto para você.

Vladimir sentiu um forte aperto no coração.

Nem minha manteiga nem os biscoitos puderam salvá-lo, pensou.

Abriu a caixa e, dentro dela, ao lado dos alimentos intactos, encontrou um bilhete dizendo:

Prezado Vladimir. Escrevo enquanto ainda posso mexer a mão. Não sei se viverei até você voltar, porque estou horrivelmente debilitado. Se eu morrer, avise a minha mulher e meus filhos. Você sabe o endereço.

Deixo as suas coisas com o capataz. Espero que as receba intactas, Andrey.

* * *

Ser honesto é dever que cabe a toda criatura que tem por meta a felicidade.

E a fidelidade é uma das virtudes que liberta o ser e o eleva na direção da Luz.

Uma amizade sólida e duradoura só se constroi com fidelidade e honestidade recíprocas.

Somente as pessoas honestas e fieis possuem a grandeza d’alma dos que já se contam entre os Espíritos verdadeiramente livres.

(Retirado da Internet, desconheço veracidade e autor)

Como se medem as distâncias?

Como se medem as distâncias?

 

As distâncias, como as horas, têm a dimensão do estado emocional das pessoas que as percorrem.

Quando nos encontramos felizes, desfrutando da companhia de amigos, os quilômetros parecem poucos metros.

Quando a alegria nos envolve, quando estamos em passeio que nos traga contentamento, a distância não se faz sentida.

Quando notícias tristes nos chegam, quando estamos carregando o peso do desânimo ou da desesperança, qualquer pequeno percurso parece interminável e exaustivo.

Quando necessitamos chegar a algum local, para atender a um enfermo, alguém que pode vir a morrer a qualquer momento, poucos metros se assemelham a quilômetros.

Lembramos que, no século XV, Leonardo da Vinci, ao idealizar o carro de três rodas, movido a corda, como um relógio, concebeu um sistema para marcar sua quilometragem.

Com uma autonomia para até quarenta quilômetros, a cada mil metros percorridos, uma bola de metal deslizava de um reservatório para outro.

Ao chegar ao destino, bastava contar o número de bolas caídas para saber os quilômetros vencidos.

Em Calcutá, na Índia, Madre Teresa idealizou uma maneira peculiar de marcar as distâncias.

Para as voluntárias da sua missão, ela estabeleceu o recitar de orações enquanto se encontrassem a caminho.

Por isso, a jovem Ananda sabia exatamente o número de Ave-Marias que cobriam o trajeto convento-hospital: duzentas e oitenta.

Confessa que, de início, aquela recomendação lhe pareceu um pouco descabida.

Ir recitando Ave-Marias, uma em seguida à outra, não seria uma forma mecânica de considerar a prece?

Logo, no entanto, Ananda compreendeu. Aquele recitar constante mantinha sua mente elevada, ocupada em algo positivo.

Em vez de deixar os pensamentos correrem soltos, sem propósito, havia um objetivo a ser mantido: conectar a mente ao Superior.

E assim, fluíam em sua mente as palavras da saudação do mensageiro celeste, traduzidas agora em prece de louvor, acrescidas da natural rogativa pelas misérias humanas.

Frases sagradas que brotavam do seu coração aos lábios, num murmúrio constante.

E quando se completasse a quantia exata das Ave-Marias, Ananda sabia que alcançara o seu destino.

Aí, com a mente higienizada por salutares vibrações, ia ao encontro de dezenas de enfermos que aguardavam a medicação, a higiene, o consolo.

Recomeçava, na madrugada risonha, mais um dia de trabalho em serviço do bem.

Durante horas ela andaria de um leito ao outro, tentando oferecer o melhor àquelas criaturas, muitas delas recolhidas ali somente para morrerem com dignidade.

*   *   *

Prece é diálogo com as forças superiores.

Ora quem se levanta com a manhã e se dedica ao semelhante.

Ora quem toma da pena e exalta a natureza em prosa e verso.

Ora quem reconhece a grandeza da Criação e exterioriza em palavras a gratidão, o louvor ao Senhor da Vida.

Ora quem busca a sintonia superior através de frases espontâneas, geradas pela fé ou pela necessidade. Ou quem vai repetindo versos, como num mantra…

Oração é vida. Viver, de forma nobre, é orar.

Pensemos nisso e não descuremos desse hábito salutar, que nos responde à vida com renovadas bênçãos.

Redação do Momento Espírita, com base no
cap. 29, do livro
Muito além do amor,
de Dominique Lapierre, ed. Salamandra.
Em 7.3.2018.