No mar, trezentos e sessenta e cinco dias

No mar, trezentos e sessenta e cinco dias

são quinze dias a menos em qualquer dos meses.
No mar sinto-me um relojoeiro,
homem sem pressa,
meditativo.
No mar não encontro defeitos em nada,
nem mesmo quando me dispo.
no mar não há cântaros rachados.
Não há conversas sobre a perfeição.
No mar sou um artífice igual,
tal é a perfeição do mar.
No mar não há zelos pela escuridão,
no mar só existe luz.
No mar só há avisos bons,
de animais,
do frio,
da natureza de que ninguém sabe.

Novembro de 2017
Texto: Manuel Peres

Bom dia, meu amor!

BOM DIA, MEU AMOR! -Joaquim Pessoa

Acordo-me. Acordo-te. Sorrio.
E sobre a tua pele que a minha adora,
navega o meu desejo, esse navio
que sempre parte e nunca vai embora.
E como um animal uivando o cio
de um milénio, de um mês, ou uma hora,
não sei se morro ou vivo, ou choro ou rio,
só sei que a eternidade é o agora.
E calam-se as palavras, uma a uma,
feitas de sal, saliva, dor e espuma,
com a exacta dosagem da alegria.
Bom dia, meu amor! O teu sorriso
é tudo o que me falta, o que eu preciso
para acender a luz de cada dia.

Luta

Luta

Com todas as tuas forças luta
Ainda que o cansaço tantas vezes te vença
E a desesperança seja o teu leito
E á tua volta os mais altos muros se ergam
Ninguém te disse que seria fácil
Mesmo que percas faz a diferença
Não sejas mais um fantoche desta sociedade podre
O mundo avança por utopias não por meras ambições
Eu já nasci revoltada
Nunca conformada
Usa o sonho usa a palavra
Usa a tua arma
Às vezes só é preciso um pouco de fé
E uma esperança desmedida para mudar o mundo
E o silêncio é a arma dos opressores
Grita a plenos pulmões
Talvez um dia
Nem que seja o teu eco
Faça a diferença

Dulce Antunes