Vivendo, amando e aprendendo

Você nunca poderá escolher a vida até aprender a perdoar. Você perdoa as pessoas que lhe fizeram mal aprendendo a perdoá-las. Pois, se não a fizer, carrega essas coisas nas costas como um peso morto e esse peso o derruba. Quando você aprender a perdoar, e quando reaprender a indulgência poderá cortar fora esse peso e todas as energias que você usa para controlar essas coisas, podem, agora, ser usadas para ajudá-lo a crescer e se tornar belo. Assim, não carregue o seu passado por aí, como um peso morto. Largue-o. aprenda com ele e largue-o.


– ‘Rir é arriscar-se a parecer tolo’. Bem, e daí? Os tolos se divertem muito.- ‘Chorar é arriscar-se a parecer sentimental’. Claro que sou sentimental. Adoro isso! As lágrimas podem ajudar.-“Procurar outro é arriscar-se a se envolver’. Quem é que está se arriscando a se envolver! Eu quero me envolver.- ‘Expor seus sentimentos é ariscar-se a mostrar o seu verdadeiro ser’. O que mais tenho para mostrar?- ‘Expor suas idéias e sonhos diante do povo é arriscar-se a ser chamado de ingênuo’. Ah, me chamam de coisas piores que isso.- ‘Viver é arriscar-se a morrer’. Estou pronto para isso. Não ouse verter uma lágrima se souber que Buscaglia explodiu pelos ares ou morreu. Ele o fez com entusiasmo.- ‘Esperar é arriscar-se ao desespero e experimentar é arriscar-se ao fracasso’. Mas os riscos têm que ser corridos, pois o maior risco na vida é não arriscar nada. A pessoa que não arrisca nada, não faz nada, não tem nada, não é nada e não se torna coisa alguma.

Pode evitar o sofrimento e a tristeza, mas não pode aprender, sentir, modificar-se, crescer, amar e viver. Acorrentado por suas certezas, é um escravo. Foi privado do direito de sua liberdade.Somente a pessoa que arrisca é verdadeiramente livre. Experimente e veja o que acontece.
Um começo.Cada dia eu faço um voto de não tentar resolver todos os problemas de minha vida de uma vez. Nem espero que você o faça.Para começar cada dia, vou procurar aprender uma coisa nova sobre mim e sobre você e sobre o mundo em que vivo, para poder continuar a experimentar todas as coisas como se tivessem nascido agora.Para começar cada dia, vou me lembrar de comunicar a minha alegria, bem como o meu desespero, para podermos nos conhecer melhor. Para começar cada dia, vou me lembrar de escutá-lo de verdade e procurar ouvir o seu ponto de vista, e descobrir o meio menos ameaçador de lhe dar o meu, lembrando-nos de que estamos ambos crescendo e mudando de cem modos diversos.Para começar cada dia, vou lembrar-me de que sou um ser humano e não exigir a perfeição de você até eu ser perfeito.Para começar cada dia, vou procurar estar mais ciente das coisas belas em nosso mundo.Para  começar cada dia, eu me lembrarei de estender a mão e tocar em você delicadamente, com meus dedos. Pois não quero deixar de senti-lo.Para começar cada dia vou dedicar-me novamente ao processo de ser amante, e depois ver o que acontece.


Você é uma dádiva de Deus. Portanto, faça você nascer. Permita que você saia. Livre-se de todas essas idéias auto destruidoras, que provocam o fracasso do ser com relação aos outros, que impedem que você e eu nos juntemos. Aprenda a confiar de novo. Aprenda a perdoar. Aprenda a acreditar que sou mais igual do que diferente de você.Não sei onde é que você me coloca, mas acredite, não estou em outro lugar que não onde você está. Estou igualmente confuso. Igualmente só. Igualmente desesperado. Choro tanto quanto você. Não tenho mais respostas do que você. Apenas parei de fazer as perguntas. Estou envolvido no processo. Nem sequer peço mais respostas. Penso apenas que é uma coisa maravilhosa de ser.
Se estiver aborrecido, se estiver com medo, se não gostar da vida que leva, saia dessa!Quem disse que você tem que ficar aí?Contanto que o seu coração e sua mente estejam funcionando e o seu espírito animado, pode adotar a vida que quiser.Pode escolher. Crie uma nova. A partir de amanhã as coisas vão ser diferentes. E depois, faça acontecer, pois só acontece em atos. Falar sobre alguma coisa é apenas o começo. A percepção é apenas a metade da solução. O resto é sair e fazer.


Não se iluda comigo.Quero que você saiba como você é importante para mim, que você pode ser o criador da pessoa que está em mim, se o quiser. Só você pode derrubar o muro atrás do qual eu tremo. Só você pode ver por trás de minha máscara. Só você pode libertar do meu mundo de sombras, do pânico, incerteza e solidão. Portanto, por favor, não deixe de me levar em conta. Sei que não será fácil para você. Uma convicção de indignidade constrói muros fortes. E quanto mais você se aproximar de mim, mais cegamente eu poderei repeli-lo. Sabe, parece que luto contra a própria coisa de que mais preciso.Mas dizem-me que o amor é mais forte que os muros e aí reside a minha única esperança. Portanto, derrube esses muros com suas mãos firmes, mas delicadas, pois a criança em mim é muito sensível e não poder crescer atrás de muros. Portanto, não desista. Preciso de você.
Uma pessoa que se ama diz “sim” para a vida, “sim” para a alegria, “sim” para o conhecimento, “sim” para as diferenças. Sabe que todas as coisas e todas as pessoas têm algo a lhe oferecer, que todas as coisas estão em todas as coisas. Se “sim” for muito ameaçador, tenta “talvez”.


“Falar” é maravilhoso, mas “fazer” pode ter uma força ainda maior.Tive um professor budista, há muitos anos, que me ensinou que “saber e não fazer é ainda não saber”.

Leo Buscaglia

TOADA DO LADRÃO


A mim não me roubaram
Porque eu nada tinha.
Mas roubaram tudo
À minha vizinha.

Vejam os senhores:
Roubaram-lhe a ela
A filha mais grácil,
A filha mais bela.

Nem na sua casa,
Nem na freguesia,
Sequer no concelho,
Melhor não havia.

Prendada, bonita…
E depois… uns modos
De matar a gente,
De prender a todos.

Dizia a vizinha
Que era o seu tesoiro;
Que valia mais
Que a prata e que o oiro.

Que a não trocaria
Por coisa nenhuma;
Que filhas assim
Só havia uma.

Pois hoje um ladrão
Que há muito a mirava
Entrava-lhe em casa
Para sempre a levava.

É a minha vizinha
Dona de solares
E de longas terras
Com rios e pomares.

E de jóias raras
Que ninguém mais tinha,
Ei-la num instante
Pobrinha… pobrinha…

(Tem pomares ainda,
Tem jóias, tem oiro…
Mas de que lhe servem
Sem o seu tesoiro?)

– Vizinha e senhora,
Não me queira mal!
Se há ladrões felizes
Sou o mais feliz
Que há em Portugal.

Sebastião Gama

Adivinha quanto eu te amo



Era hora de ir para a cama, e o coelhinho se agarrou firme nas longas orelhas do coelho pai.

Depois de ter certeza de que o papai coelho estava ouvindo, o coelhinho disse:Adivinha o quanto eu te amo!

Ah, acho que isso eu não consigo adivinhar. – Respondeu o coelho pai.

Tudo isto. – Disse o coelhinho, esticando os braços o mais que podia.

Só que o coelho pai tinha os braços mais compridos, e disse: E eu te amo tudo isto!

Hum, isso é um bocado. – Pensou o coelhinho.

Eu te amo toda a minha altura. – Disse o coelhinho.

E eu te amo toda a minha altura. – Disse o coelho pai.

Puxa, isso é bem alto, pensou o coelhinho. Eu queria ter braços compridos assim.

Então o coelhinho teve uma boa ideia. Ele se virou de ponta-cabeça apoiando as patinhas na árvore, e gritou: Eu te amo até as pontas dos dedos dos meus pés, papai!

E eu te amo até as pontas dos dedos dos teus pés. – Disse o coelho pai balançando o filho no ar.

Eu te amo toda a altura do meu pulo!, riu o coelhinho, saltando de um lado para outro.

E eu te amo toda a altura do meu pulo. – Riu também o coelho pai. E saltou tão alto, que suas orelhas tocaram os galhos da árvore.

Isso é que é saltar, pensou o coelhinho. Bem que eu gostaria de pular assim.

Eu te amo toda a estradinha daqui até o rio. – Gritou o coelhinho.

Eu te amo até depois do rio, até as colinas. – Disse o coelho pai.

É uma bela distância, pensou o coelhinho. Mas, àquela altura já estava sonolento demais para continuar pensando.

Então, ele olhou para além das copas das árvores, para a imensa escuridão da noite e concluiu: nada podia ser maior que o céu.

Eu te amo até a lua! – Disse ele, e fechou os olhos.

Puxa, isso é longe. – Falou o papai coelho. – Longe mesmo!

O coelho pai deitou o coelhinho na sua caminha de folhas, inclinou-se e lhe deu um beijo de boa noite.

Depois, deitou-se ao lado do filho e sussurrou sorrindo:  Eu te amo até a lua… ida e volta!

*   *   *

E você, já disputou alguma vez com seu filho quem gosta mais um do outro?

Geralmente as disputas são em torno de questões como quem joga futebol melhor, quem corre mais, quem vence mais etapas no vídeo game, quem coleciona mais troféus etc.

A vida atarefada, o corre-corre, os inúmeros compromissos, por vezes nos afastam das coisas simples, como sentar na cama ao lado do filho e lhe contar uma história, enquanto o sono não vem.

Acariciar-lhe os cabelos, segurar suas mãozinhas pequenas, fazer-lhe companhia para que se sinta seguro.

Deitar-se, sem pressa, ao seu lado quando ele vai para a cama, falar-lhe das coisas boas, ouvir com ele uma melodia suave, para espantar os medos que tantas vezes ele não confessa.

Falar-lhe do afeto que sentimos por ele, do quanto ele é importante em nossa vida. Dizer-lhe que um anjo bom vela seu sono e que Deus cuida de todos nós.

E se você pensa que isso não é importante, talvez tenha esquecido das muitas vezes que arranjou uma boa desculpa para se aconchegar ao lado do pai ou da mãe, nas noites de temporal…

*   *   *

Se, às vezes, é difícil se aproximar de um filho rebelde, considere que a sua rebeldia pode ser, simplesmente, um apelo desajeitado de alguém que precisa apenas de um colo seguro e um abraço de ternura.

Redação do Momento Espírita, com base no livro
Adivinha quanto eu te amo, de Sam McBratney, 
ed. Martins Fontes.