O PRÉ-CONCEITO E SUAS CONSEQUÊNCIAS

O PRÉ-CONCEITO E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Quem não compartilha nenhum pré-conceito que atire a primeira pedra! Quem diz não ter pré-conceito pode se considerar hipócrita. Quem tem domínio sobre todas as situações do mundo para saber o que é certo ou errado? Ninguém terreno tem essa resposta ou tem?

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Por mais que seja difícil aceitar, todo ser humano tem algum pré-conceito, uma ideia sobre algo ou alguém sem real conhecimento. Opinar por um tema sem embasamento, sem conhecimento, pode gerar preconceito, o ato de condenar algo ou alguém sem um motivo real.

Ter um pré-conceito sobre algo ou alguém é muito natural, mas, ter preconceito sobre algo ou alguém é injusto e pode até ser criminoso. 

Ter opinião sobre questões sociais é algo muito positivo e produtivo na busca de soluções. É uma maneira de dialogar, quando há abertura entre as partes que pretendem debater e buscar soluções sobre algum tema. O ruim é tornar uma opinião isolada e sem reflexão em um padrão de certo e errado.

É errado quando uma mulher se olha no espelho e se baseia no padrão das modelos de passarela para definir o que é beleza, ela está criando um preconceito pra si mesma. No mundo da moda, as modelos seguem o padrão longilíneo, se dedicam a seguir dietas radicais, a fazer exercícios físicos e as massagens modeladoras para manterem o padrão exigido. Para manter uma beleza que nenhum corpo naturalmente tem.

O pré-conceito é uma maneira que pode levar as pessoas a entenderem o que realmente move uma ideologia, uma filosofia. Mas, quando o pré-conceito se torna preconceito, isso leva a destruição do indivíduo e/ ou de um grupo.

A mulher que se olha no espelho e não consegue perceber sua beleza ou seu valor ela está rodeada de pré-conceitos. Que fortalecem o preconceito com ela mesma e com as outras pessoas a sua volta. Torna-a uma preconceituosa, dessa maneira, nascem as ditadoras da beleza, mulheres que deveriam estar engajadas em quebrar padrões, só que não, estão fortalecendo a ideia de que beleza física é mais importante do que o bom caráter e a beleza interior.

A beleza interior é o empoderamento. É quando a mulher entende que as suas ações, as escolhas e os objetivos de vida definem a sua felicidade e não apenas um banho de loja ou uma ida ao salão de beleza.

O preconceito nasce no individuo, em não aceitar a si mesmo e, consequentemente, em  não aceitar o outro. Lidar com o diferente, aceitar o diferente, respeitar o diferente é uma maneira de auto-aceitação, de manter as relações sociais mais saudáveis.

Sempre que as pessoas passarem mais tempo imaginando o que as outras são, criando esteriótipos e evitando a convivência, elas estarão mais próximas de se tornarem preconceituosas.

As pessoas são as ações que elas imprimem no mundo e não apenas o que elas representam. Olhar para o espelho todas as manhãs, buscando encontrar a beleza interior é como querer mudar a maneira de pensar batendo a cabela na parede, só vai machucar.

Vale a pena lembrar as palavras do alemão Johann Goethe “Quem tem bastante no seu interior, pouco precisa de fora”. A beleza física é apenas um complemento, cuidado com o que o seu pré-conceito tem feito de você e, consequentemente, com os outros.

Um mundo melhor começa no “eu interior” de cada.

Fonte:© obvious: http://obviousmag.org/inconvencional/2017/10/pre-conceito.html#ixzz4wqePea6o
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Dia 129, sobre o artesão

Dia 129. (excerto)

*

Sou um artesão que trabalha na oficina das palavras.
Voo com as palavras. Vou com as palavras.
Subi as ladeiras do tempo carregado de sílabas e de
esperanças.
Voar foi escrever, habitar a música, tornar humana a
fantasia do anjo, sabendo que nem hábitos nem ges-
tos emprestaram serenidade à escrita.
O mundo não é um lugar para a verdade, nem é uma
casa vazia. É como a velhice que nos vai traindo, dan-
do-nos sabedoria, retirando do corpo para dar ao es-
pírito.
Têm-me valido, de todo, as palavras. As carregadas
de amor e as outras. Desarmadas. Simples. Dignas.
E também as que são fogo, tempestade ou raíz. Vou
fazendo danos a mim mesmo. Feridas e negações.
Mas prossigo, escrevendo. Com amor.

*

Joaquim Pessoa in
ANO COMUM, 2.ª ed.
Editora Edições Esgotadas.

O viajor e as florestas

O viajor e as florestas

 

Imaginemos uma estrada longa, em cuja extensão se encontram enormes florestas que é preciso atravessar. À entrada de cada uma, a estrada, larga e magnífica, se interrompe, para só continuar na saída.

O viajor, que segue por essa estrada, penetra na primeira floresta. Porém, não encontra caminho aberto, somente um emaranhado complexo em que se perde.

A claridade do sol desaparece sob a espessa ramagem das árvores. Ele vagueia, sem saber para onde se dirige.

Afinal, consegue chegar ao fim da floresta. Está cansado, dilacerado pelos espinhos, machucado pelas pedras.

Ali está novamente a estrada e ele prossegue a sua jornada, procurando curar-se das feridas.

Mais adiante, uma segunda floresta se apresenta, na qual o esperam as mesmas dificuldades. Mas, como ele já possui um pouco de experiência, sai dela menos ferido.

Noutra, encontra com um lenhador que lhe indica a direção que deve seguir para não se transviar.

A cada nova travessia, aumenta a sua habilidade, de maneira que transpõe cada vez mais facilmente os obstáculos.

A estrada finaliza no alto de uma montanha, donde ele enxerga todo o caminho que percorreu desde o ponto de partida.

Vê as diferentes florestas que atravessou e se lembra dos contratempos que passou. Mas, essa lembrança não lhe é penosa, porque chegou ao termo da caminhada.

É como um velho soldado que, na calma do lar doméstico, recorda as batalhas a que assistiu.

Aquelas florestas lhe parecem pontos negros sobre uma fita branca e diz para si mesmo: Quando eu estava naquelas florestas, nas primeiras, sobretudo, comome pareciam longas de atravessar!

Tudo ao meu derredor me parecia gigantesco e intransponível e que nunca eu chegaria ao fim.

Penso que, sem aquele bondoso lenhador que me pôs no bom caminho, talvez eu ainda estivesse por lá!

Agora, que contemplo essas mesmas florestas do ponto onde me acho, me parecem pequenas!

Tenho a impressão de que eu teria podido atravessá-las, com um passo. A minha vista as penetra e lhes distingo os menores detalhes. Percebo até os passos em falso que dei.

Encontrando um sábio, lhe pergunta:

Por que não há uma estrada direta do ponto de partida até aqui? Isso pouparia aos viajantes o terem de atravessar aquelas terríveis florestas.

Meu filho, responde o ancião, olha bem e verás que muitos evitam a travessia de algumas delas: são os que, tendo adquirido mais rapidamente a experiência necessária, sabem tomar um caminho mais direto e mais curto para chegarem aqui.

Essa experiência, porém, é fruto do trabalho que as primeiras travessias lhes impuseram, de modo que eles aqui chegam em virtude do mérito próprio.

No entanto, o que saberias, se não houvesses passado por elas?

A atividade que tiveste de desenvolver, os recursos de imaginação que precisaste empregar para abrir caminho aumentaram os teus conhecimentos e desenvolveram a tua inteligência.

*  *  *

Somos o viajor. A estrada é a imagem da nossa vida. O lenhador é Jesus. As florestas são as existências corpóreas que nos levam ao alto da montanha da perfeição.

Estamos a caminho. Pensemos nisso.

 

Redação do Momento Espírita, com base no cap.
O caminho da vida, do livro Obras Póstumas,
de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 16.10.2017.