NOS TEUS GESTOS…

NOS TEUS GESTOS…

Joaquim Pessoa

*Nos teus gestos há animais em liberdadee o brilho doce que só têm as cerejas.

É neles que adormeço,e dos teus dedos retiro a luz azul dos arquipélagos.

*Os teus gestos são letras, sílabas, poemas.

Os teus gestos são páginas inteiras.

São a tua boca a namorar na minha boca,o cio dos séculos a saudar o tempo.

*São os teus gestos que me acordam.

Gestos que vestem o silêncio fundo das ravina se assinalam a água dos desertos.

*Os teus gestos são música.

São lume.

São a respiração do teu olhar.

A seara de espigas que ondula no meu corpo.

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Começa por ti


Tua natureza divina não foi feita para ser aprisionada à sombra do sofrimento, fora do alcance de Deus, e sim para expandir, crescer, para assim, reencontrar sua real função.


És a flecha que tem por destino ser arremessada ao tronco do conhecimento e, se forças em direção contrária, cais em depressão, por negares ao teu ser a tua real necessidade que é a de estares livre, presente na tua realidade divina. Deves saber que as coisas não precisam acontecer nesta ordem.
Tens a opção em escolher novamente, sempre que sentires a ausência do teu coração em tuas decisões, ou seja, a ausência da paz de espírito.
Volta, recolhe teu ser no silêncio que habita
tua morada, e lá, começa por ti.


O que queres que não podes ter?
Nesta frase tão curta, reside todo o emaranhado de fios que te sufocam a cada dia.


Começa por ti e em ti.


Aprende a conhecer tuas reais necessidades e começa por elas.


Uma a uma, purificando teu ser do sofrimento que tens te causado por todo este tempo.


Desacredita da tua má sorte e põe tua atenção, teu coração no conhecimento que está dentro de ti, em silêncio, a esperar-te para dar-te a paz, a certeza de quem és.

Para cultivar a sabedoria, é preciso força interior. Sem crescimento interno, é difícil conquistar a autoconfiança e a coragem necessárias. Sem elas, nossa vida se complica. O impossível torna-se possível com a força de vontade.

Dalai Lama

O dia que o Falcão socorreu o Passarinho

O dia em que o Falcão socorreu o passarinho.

Por Roberto Vieira modificado por Caco Marcos.

O Hotel Majestic, onde morou de 1964 a 1980, mostrou a Mário Quintana o olho da rua, colocando-o para fora por falta de pagamento.

A miséria chegou absoluta ao universo do poeta. Ele não foi feito para a riqueza, quando muito conquistar uma princesa com seus versos, depois voltar ao pântano.

Mario estava só, o Correio do Povo falira, o passado falira, as palavras faliram. Um império sem homens e sem sentimentos. O porteiro aproveita e joga um agasalho que tinha ficado no quarto:

  • Toma, velho!

Mário estava só. Cadê os passarinhos?
A sarjeta aguardava o ancião.

Paulo Roberto Falcão, ex-jogador e agora cronista esportivo, fora avisado do acontecido. Quando chega em frente ao hotel, observa aquela cena absurda, triste. Estaciona e caminha até o poeta com as malas na calçada.

  • Sr. Quintana, o que está acontecendo?

Mário ergue os olhos e enxuga uma lágrima, destas que insistem em povoar os olhos dos poetas. Quisera não fossem lágrimas, quisera não fosse um poeta, quisera ouvisse os conselhos de mãe e fosse engenheiro, médico, professor. Ninguém vive de comer poesia.

Mário lhe explica que o dinheiro acabou. Está desempregado, sem família, sem amigos, sem emprego.
Restaram apenas essas malas nas ruas de Porto Alegre.

Mário observa Falcão colocando suas malas dentro do carro, em silêncio. Em silêncio, Falcão abre a porta para Mário e o convida a entrar. No silêncio de duas almas na tarde fria de Porto Alegre, o carro ruma na direção do arquipélago, na direção do infinito.

Falcão para o carro no Hotel Royal, de sua propriedade, desce as malas, chama um dos empregados:

  • O Sr. Mário agora é meu hóspede!
  • Por quanto tempo, Sr. Falcão?

Falcão observa o olhar tímido e surpreso do poeta e, enquanto o abraça comovido, responde:

  • Por toda a eternidade.

O poeta faleceu em 1994.

*** Recebido por um grupo de whatsapp o texto e autoria