Amo as coisas simples

A manhã rompe-se com o canto dos pássaros e as flores

amarelas pedem justiça ao vento, que saiu de casa feliz, 

para incendiar nos pensamentos a intimidade do dia. 

Ganham entusiasmo as minhas mãos, os olhos dizem-me

que hoje a felicidade é possível, que é de vida que se

alimenta a fogueira do amor.

E eu caminho com a sabedoria das coisas que escolheram

apaixonar-se pelo mar, essas coisas simples que procuram

tornar ainda mais simples cada minuto, cada gesto,

cada beijo.

Amo as coisas simples porque a sua simplicidade é a de

carregar o mundo, grávidas que estão da sua nudez,

sabendo que a morte não é mais que uma palavra e o amor

são todas as palavras, as doces e temíveis palavras que

vestem a vida de brocados e de sedas tão macias, tão raras,

tão intensas como a simples e profunda memória do

cheiro e do sabor que só tem a pele de uma mulher.

Joaquim Pessoa

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