Um sim ao verdadeiro amor

Viviam juntos. Para quê esperar pelo casamento se já se amavam? No fundo, estavam convencidos de que casar-se era somente uma cerimónia exterior. Algo tradicional, com um grande valor simbólico, mas que não acrescentaria absolutamente nada ao seu mútuo amor. Dentro de poucos meses talvez pusessem as coisas em ordem. Quando? Quando fosse possível. Sem excessivas pressas, que só complicam desnecessariamente a vida de uma pessoa.

Respondi-lhes que aquele modo de comportar-se não estava bem. Eles eram totalmente livres. Uma manifestação disso é que estavam a fazer exactamente aquilo que queriam. Ninguém os obrigava a mudar de atitude. Eu também não.

Os mais interessados de verdade em mudar de situação eram eles próprios. Ou entendiam isso, ou nem valia a pena tentar. Tinha de ser uma manifestação da sua liberdade responsável. De quem não se deixa levar pelo mais fácil, mas deseja de verdade construir um edifício sólido. De quem está convencido de que uma felicidade sem esforço não costuma durar muito.

Fiz-lhes ver que aquele modo de agir não era um bom alicerce para a sua futura vida matrimonial. Estavam a deixar-se levar pelo imediato, sem pensar com sinceridade e realismo no dia de amanhã. E não resolvia nada chamar a essa atitude uma manifestação de amor. Era verdade que se amavam. No entanto, esse amor devia ser fortificado. Não podia confundir-se com um sentimento vago de que, por enquanto, tudo estava a correr bem.

Expliquei-lhes que a falta de respeito era a primeira das causas que fazia naufragar tantos casamentos. Quando o verdadeiro amor falha antes do casamento, falha depois. Mas onde é que o amor estava a falhar? Estava a falhar porque não era maduro. Não era um amor provado com o sacrifício, com a capacidade de renúncia. Era um amor que corria o risco de ser “sufocado” pela fortíssima atracção mútua que procede dos instintos mais básicos.

Que exactamente porque se amavam saberiam esperar. Que essa espera revelava a profundidade do seu afecto desinteressado. O contrário não provava nada, porque era obviamente o caminho mais fácil. Dizer que não antes do casamento, coisa a que ninguém hoje em dia os obrigava, era uma manifestação de generosidade, de capacidade de entrega. Facilitava a aprendizagem do auto domínio, base fundamental para a futura fidelidade matrimonial.

Um namoro sem capacidade de sacrifício, a grande maioria das vezes, não gera nenhum casamento. E se o gera, é um casamento instável. Cedo ou tarde, marido e mulher ou aprendem a negar-se a si mesmos pelo outro, ou acabarão por perder o respeito mútuo no qual se fundamenta o seu compromisso.

Vale a pena dizer que não antes do casamento. Um não livre, maduro, de quem não se deixa arrastar pelo mais imediato. Um não que exige esforço, mas que não é negativo. Porque no fundo é um sim ao verdadeiro amor.

(Rodrigo Lynce de Faria)

Fonte: http://familia.aaldeia.net/um-sim-ao-verdadeiro-amor/

O pai cansado

Chega-se cansado a casa. O cansaço é legítimo. O mau humor, não. Convém lembrar que o homem cansado é propenso ao mau génio, já que tem as defesas baixas e os nervos destemperados.

Uma pessoa cansada tende ao hermetismo. Não é comunicativa.

É preciso dar à pessoa cansada um tempo para decantar as fadigas e preocupações de um dia de trabalho. Deve-se permitir ao guerreiro deixar as suas armas, desmontar e recompor-se.

Uma pessoa cansada procura desfazer-se quanto antes da sua mercadoria. Interrompe quando não deve, tem tanto mais pressa quanto mais deve esperar. É a hora heróica dos pais.

O carinho dos filhos vale mais que o esgotamento.

Ao chegar em casa, nenhum pai pode abrir a porta e dizer: “Missão cumprida”.

Se acha que a casa é o lugar das compensações egoístas, um pai de família perdeu-se. A recompensa verdadeira é a de ver-se rodeado por afecto.

O carinho dos filhos não é um carinho abstracto, teórico. É tangível. Percebe-se. Toca-se.

Os olhos das crianças dizem: “Sê o meu pai. Tu és forte, mais forte do que o cansaço”.

Isolar-se dos filhos ao chegar a casa é dizer-lhes: “Vocês não me interessam”.

Um pai sempre cansado, ou que pede que o tratem como um homem cansado, é um pai doente. A casa não é uma clínica de repouso, onde se cuida religiosamente do silêncio para não atrapalhar os pacientes.

O lugar onde descansa o pai não é “zona de hospital”, como tão pouco a sala de estar deve ter o cartaz de “crianças a jogar”.

Quando os filhos são pequenos são como brinquedos do pai. Quando está de bom humor, dá-lhes corda. Quando o jogo cansa ou aborrece, guarda-os ou arquiva-os. Em muitos casos, a televisão serve, lamentavelmente, de arquivo.

Se os filhos são considerados um incómodo porque perturbam o descanso do pai, exige-se à mãe que os faça evaporar para que não criem problemas.

O guerreiro considera que já teve suficientes aborrecimentos no seu trabalho, ofício ou negócio.

Cultivar a vida familiar

A vida familiar deve ser cultivada, sob o risco de que se torne num campo abandonado.

Incrementa-se com a conversação, com as celebrações, com ritos familiares, com tradições, com uma linguagem que tem pontos de referência comuns.

Sem vida familiar, passa-se do trabalho ao trabalho como por um túnel. Agradeçamos que o dia de trabalho se interrompa para estar com quem se ama.

O cansaço de um dia de trabalho duro, recupera-se na vida em família. A graça do filho pequeno faz mudar a vista cansada. Em casa não nos aceitam pela nossa eficácia nem pelo nosso rendimento: acolhem-nos com carinho. E a vida em família é mais amável quando é enfrentada com amabilidade, quando não impacienta a avidez de um filho por contar as suas coisas, a do outro que assalta com pedidos, a de um terceiro… O lar não é um mosteiro onde se ouve o silêncio. As crianças não são objectos imóveis que fazem parte da decoração. A casa não é casa de repouso para doentes dos nervos. O carinho torna amáveis até as interrupções.

(Diego Ibañez Langlois, http://www.acidigital.com)

Fonte: http://familia.aaldeia.net/o-pai-cansado/

Honestidade

A história é comovente. Fala de uma honestidade a toda prova, e é contada por Vladimir Petrov, jovem prisioneiro de um campo de concentração no nordeste da Sibéria.

Vladimir tinha um companheiro de prisão chamado Andrey.

Ambos sabiam que daquele lugar poucos saíam com vida, pois o alimento que se dava aos prisioneiros políticos não tinham por objetivo mantê-los vivos por muito tempo.

A taxa de mortalidade era extremamente alta, graças ao regime de fome e aos trabalhos forçados. E como é natural, os prisioneiros, em sua maioria, roubavam tudo quanto lhes caía nas mãos.

Vladimir tinha, numa pequena caixa, alguns biscoitos, um pouco de manteiga e açúcar – coisas que sua mãe lhe havia mandado clandestinamente, de quase três mil quilômetros de distância.

Guardava aqueles alimentos para quando a fome se tornasse insuportável. E como a caixa não tinha chave, ele a levava sempre consigo.

Certo dia, Vladimir foi despachado para um trabalho temporário em outro campo. E porque não sabia o que fazer com a caixa, Andrey lhe disse:

Deixe-a comigo, que eu a guardo. Pode estar certo de que ficará a salvo comigo.

No dia seguinte da sua partida, uma tempestade de neve que durou três dias tornou intransitáveis todos os caminhos, impossibilitando o transporte de provisões.

Vladimir sabia que no campo de concentração em que ficara Andrey, as coisas deviam andar muito mal.

Só dez dias depois os caminhos foram reabertos e Vladimir retornou ao campo.

Chegou à noite, quando todos já haviam voltado do trabalho, mas não viu Andrey entre os demais.

Dirigiu-se ao capataz e lhe perguntou:

Onde está Andrey?

Enterrado numa cova enorme junto com outros tantos prisioneiros, respondeu ele.

Mas antes de morrer pediu-me que guardasse isto para você.

Vladimir sentiu um forte aperto no coração.

Nem minha manteiga nem os biscoitos puderam salvá-lo, pensou.

Abriu a caixa e, dentro dela, ao lado dos alimentos intactos, encontrou um bilhete dizendo:

Prezado Vladimir. Escrevo enquanto ainda posso mexer a mão. Não sei se viverei até você voltar, porque estou horrivelmente debilitado. Se eu morrer, avise a minha mulher e meus filhos. Você sabe o endereço.

Deixo as suas coisas com o capataz. Espero que as receba intactas, Andrey.

* * *

Ser honesto é dever que cabe a toda criatura que tem por meta a felicidade.

E a fidelidade é uma das virtudes que liberta o ser e o eleva na direção da Luz.

Uma amizade sólida e duradoura só se constroi com fidelidade e honestidade recíprocas.

Somente as pessoas honestas e fieis possuem a grandeza d’alma dos que já se contam entre os Espíritos verdadeiramente livres.

(Retirado da Internet, desconheço veracidade e autor)