“TROQUE SEU GATINHO POR UMA CRIANÇA POBRE”

“TROQUE SEU GATINHO POR UMA CRIANÇA POBRE

Enquanto trabalho, eles ficam aqui em volta, cada qual do seu jeito: Keaton em cima do computador, Netcat deitada no tapetinho debaixo da poltrona, Tati na cadeira de diretor ali ao lado, Lucas em c…ima da escrivaninha, Mosca e Tutu indo e vindo, Pipoca às vezes caçando um inseto, às vezes na janela, apreciando a noite.

Estou convencida de que os bigodes tão bonitinhos que têm são antenas que captam as vibrações do ambiente e da alma da gente. São solidários e companheiros, atentos e carinhosos. Às vezes, quando acham que estou concentrada demais no trabalho, dão pequenos puxões na minha roupa ou nos meus braços, as patinhas fechadas com grande cuidado para não machucar.

Apesar de lindos — e vaidosos! — eles sabem que beleza não é fundamental; fundamental mesmo é delicadeza, essa qualidade tão em falta na vida da gente.

Como muitos de vocês sabem, levo uma vida dupla. Não escrevo apenas no jornal, mas também num blog, isto é, uma espécie de diário que mantenho na internet, onde anoto idéias, comento uma coisa ou outra, mostro umas fotos. O textinho acima escrevi no domingo de madrugada quando, justamente, a Tati desceu da tal cadeira de diretor e veio dar uns puxões na minha roupa, pedindo atenção.

Foi um mix de observação do cotidiano com declaração de amor, uma daquelas coisas que a gente escreve sem qualquer pretensão, apenas para dividir com os amigos um momento de carinho; mas suscitou, pela enésima vez, a pergunta que nenhum dono de animal de estimação agüenta mais ouvir.

“Você tem um apreço muito grande pelos gatos, dos quais também gosto, tenho um, mas acho que, de sua parte e de tantas outras pessoas, há exagero”, escreveu um leitor. “Em vez de se ter tantos gatos, como você tem, por que não adotar uma criança sem-mãe-nem-pai? Não tenho nada com a sua vida, mas me preocupam — muito mais do que os gatos — as crianças que choram pelo carinho de alguém que possam chamar de mãe ou de pai — sobretudo de mãe. Em muitos casos, aliás, não se trata de escolher entre gatos ou criança, porque há condições financeiras e afetivas para se dedicar a um filhote humano, digamos assim, e ao mesmo tempo a um felino — para que ter seis, dez gatos?”

Desconfio muito da bondade e das boas intenções de quem questiona o amor aos animais, mas decidi responder ao leitor para esclarecer, de uma vez, o meu ponto de vista em relação ao assunto. Escrevi o seguinte:

Esta é uma pergunta clássica, feita por quem ou não tem animais ou não tem filhos; como você diz que tem um gato, suponho que não tenha filhos. É também uma pergunta muito difícil de responder, porque se a pessoa não percebe sozinha a diferença abissal entre uma criança e um animal de estimação fica complicadíssimo explicar — mas vou tentar.

Ninguém adota um filho porque tem um dinheirinho — ou um afetinho — sobrando, temporariamente desviados para quadrúpedes. Até porque ser um pai ou mãe responsável não é só pagar a escola e o pediatra e fazer um eventual carinho na criança ao chegar em casa; é se atirar de corpo e alma na construção de uma pessoa, ensinar, dar e mostrar exemplos, cuidar, levar e buscar na escola, no balé e no inglês, estar atenta ao que ela faz e com quem se relaciona, dar disciplina e compreensão nas doses certas, enfim… viver 24 horas por dia em função daquela criança.

É preciso ter uma imensa disponibilidade de tempo, paciência e carinho para ser pai ou mãe de verdade; para não falar em dinheiro.

Como eu disse, não dá para comparar filhos e bichos de estimação; mas, ficando só no lado prático da questão, ninguém precisa levar um gato à escola, conferir os seus deveres de casa, checar se escovou os dentes antes de ir para a cama ou, na adolescência, ir buscá-lo às quatro da manhã numa festinha do outro lado da cidade.

Inversamente, eu não poderia deixar uma criança sozinha durante todo o tempo que passo fora de casa, sobretudo quando viajo. Os gatos também não gostam muito dessas separações, é verdade, mas aceitam a situação resignados.

Quanto à pergunta dentro da pergunta (“para que ter seis, dez gatos?”) posso garantir, pelo menos nos casos que conheço, que ninguém decide ter seis, dez ou quinze gatos. Os gatos acontecem na vida de quem gosta deles. Um dia a tua filha chega da faculdade trazendo um gatinho que estava sendo maltratado no bar da esquina; no outro, o porteiro traz uma gatinha que foi abandonada em frente ao prédio, às portas da morte; ou a faxineira vem com uma siamesinha que nasceu na favela e que ela não tem condições de criar; ou…

Enfim. Há milhões de crianças em condições desesperadoras, é verdade, mas a situação dos animais não é nada melhor, pelo contrário.

Eu criei dois filhos maravilhosos, que se tornaram adultos cheios de qualidades e me enchem de orgulho; e dou guarida aos gatinhos que a vida teve a consideração — a delicadeza — de pôr no meu caminho.”

Cora Rónai – Jornal O Globo, 6 de maio de 2004

O tempo exato

Depois do atentado do 11 de setembro, uma empresa que tinha o seu escritório em um dos andares do World Trade Center, convidou os seus sócios e empregados que por alguma razão haviam sobrevivido ao ataque, para compartilhar as suas experiências.

Aquelas pessoas estavam vivas pelas razões mais simples da vida, eram pequenos detalhes como esses:

– O diretor de uma pequena companhia chegou tarde porque foi participar de uma reunião na escola do seu filho;

– Uma mulher se atrasou porque o seu despertador não alarmou a tempo;

– Outro funcionário havia se atrasado pq pegou um caminho diferente afim de chegar mais rápido e acabou atolado em um engarrafamento pois havia acontecido um acidente na rodovia que havia pegado;

– Outro funcionário perdeu o ônibus;

– uma funcionária foi atingida por cocô de pombo e precisou voltar pra se trocar;

– Um dos sócios teve problemas ao ligar o carro e precisou chamar um mecânico;

– Outro funcionário teve que atender um telefone que acabou resultando em poucos minutos de atraso antes do atentado;

– Uma secretaria entrou em trabalho de parto;

– Um zelador não conseguiu um táxi;

– Mas a história que mais me impressionou foi a de um senhor que ficou com uma bolha no calcanhar, devido o seu sapato ser novo e antes de chegar ao trabalho ele decidiu parar em uma farmácia pra comprar um curativo e por isso ele está vivo hoje.

– Agora, quando eu fico preso no trânsito, quando perco um ônibus, quando preciso me atrasar pq tive que atender alguém e muitas outras coisas que me desesperaríam, penso primeiro

“Este é o lugar exato no que devo estar, nesse exato e precioso momento”.

– Na próxima vez que a tua manhã for uma loucura, que teus filhos demorem em se arrumar, ou que vc não esteja conseguindo achar as chaves do carro, não fique chateado ou frustrado.

VOCÊ ESTÁ EXATAMENTE NO LUGAR QUE DEVERIA ESTAR, nesse grande quebra cabeça da vida. Aplique a gratidão agora e seja grato por como vc está agora e pelas coisas que tem.

Viva cada minuto como se fosse o último, abrace, chore, sorria, diga que ama, amanhã pode ser tarde demais…

Extraído de um perfil de Facebook

No dia da mentira, uma parábola sobre verdade

01 de Abril, para muitos um dia de brincadeiras e mentiras. Como reflexão, deixo uma parábola sobre mentira e verdade:

“Diz uma parábola judaica que certo dia a mentira e a verdade se encontraram.

A mentira disse para a verdade:

– Bom dia, dona Verdade.

E a verdade foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva, vários pássaros cantavam e vendo que realmente era um bom dia, respondeu para a mentira:

– Bom dia, dona mentira.

– Está muito calor hoje, disse a mentira.

E a verdade vendo que a mentira falava a verdade, relaxou.

A mentira então convidou a verdade para se banhar no rio. Despiu-se de suas vestes, pulou na água e disse:

-Venha dona Verdade, a água está uma delícia.

E assim que a verdade sem duvidar da mentira tirou suas vestes e mergulhou, a mentira saiu da água e vestiu-se com as roupas da verdade e foi embora.

A verdade por sua vez recusou-se a vestir-se com as vestes da mentira e por não ter do que se envergonhar, saiu nua a caminhar na rua. E aos olhos de outras pessoas era mais fácil aceitar a mentira vestida de verdade, do que a verdade nua e crua.”

Extraído da internet

E para você? Mentira/Verdade/Tanto faz?