SIMPLESMENTE SEJA VOCÊ MESMO E ISSO É O BASTANTE

SIMPLESMENTE SEJA VOCÊ MESMO E ISSO É O BASTANTE.

Osho

Você é aceito pelo sol,você é aceito pelas estrelas,
você é aceito por todo este universo.

Você é aceito pelo oceano,você é aceito pela terra,
você é aceito pelas árvores.

Simplesmente deleite-se neles.
Aceite humildemente sua imperfeição, suas fraquezas, seus fracassos.
Não há necessidade de fingir o contrário.

Seja simplesmente você mesmo.
“É assim que eu sou”, o que há de errado nisso?

Você é simplesmente humano.
Quando você se aceita, você é capaz de aceitar os outros.
Aceitando-os, você irá ajudá-los a aceitar a si mesmos.

Podemos provocar esta mudança:
você se aceita e aceita os outros.
E porque alguém os aceita,
eles aprendem quanta paz se sente,
e começam a aceitar os outros.

Se a humanidade toda chegar a esse ponto em que cada um seja aceito, boa parte da infelicidade irá simplesmente desaparecer.
Corações se abrirão e o amor estará fluindo.”

Coragem

A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina cor, que significa “coração”. Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.

O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta. O coração nunca calcula nada. – Osho

A compaixão está além das regras

A compaixão está além das regras

Agora, a história zen.

Num dia de inverno, um samurai sem mestre foi ao templo de Eisai e fez um apelo:
Sou pobre e doente – disse – e minha família está morrendo de fome. Por favor, ajude-nos, mestre.
Dependente como era de doações de viúvas, Eisai levava uma vida muito austera e nada tinha para dar.
Ia mandar o samurai embora quando se lembrou da imagem do Buda Yakushi no saguão. Subiu até ela, arrancou-lhe o halo e o deu ao samurai.
Venda isso – disse Eisai. – Deve aliviar seus problemas.
O perplexo porém desesperado samurai pegou o halo e saiu.
Mestre! – gritou um dos discípulos de Eisai. – Isso é sacrilégio! Como o senhor pôde fazer tal coisa?
Sacrilégio? Bah! Simplesmente fiz bom uso, por assim dizer, da mente do Buda, que é plena de amor e misericórdia. Na verdade, se ele próprio tivesse ouvido aquele pobre samurai, teria cortado um braço ou uma perna por ele.

Uma história muito simples, porém muito significativa. Primei­ro, mesmo que você nada tenha para dar, olhe de novo. Sempre en­contrará algo. Mesmo que nada tenha, sempre poderá encontrar algo. Se não puder dar nada, pelo menos pode sorrir; se não puder dar nada, pelo menos pode se sentar com a pessoa e segurar-lhe a mão. Não se trata de doar algo, trata-se de se doar.
Eisai era um monge pobre, como geralmente são os monges bu­distas. Sua vida era muito austera e ele não tinha nada para dar. Nor­malmente, é um absoluto sacrilégio tirar o halo da estátua do Buda e dá-lo a alguém. Nenhuma pessoa que se diz religiosa pensaria nisso. Somente alguém realmente religioso o faria — é por isso que digo que a compaixão não conhece regras, está além das regras. E selvagem. Não segue formalidades.
De repente, o mestre se lembrou da imagem do Buda no saguão. No Japão, na China, eles colocam um halo de ouro em volta da ca­beça do Buda, só para representar a aura. De repente o mestre se lem­brou – ele devia venerar a mesma estátua todos os dias.

Subiu até ela, arrancou-lhe o halo e o deu ao samurai.
Venda isso – disse Eisai. – Deve aliviar seus problemas.
O perplexo porém desesperado samurai pegou o halo e saiu. 

O próprio samurai ficou surpreso. Não esperava aquilo. Até ele de­ve ter achado sacrilégio. Que tipo de homem era aquele? Era um se­guidor de Buda e destruiu a estátua. O mero toque na estátua é um sacrilégio, e ele arrancou o halo.

Essa é a diferença entre uma pessoa realmente religiosa e uma que se diz religiosa. Aquela que se diz religiosa sempre observa as regras, sempre pensa no que é apropriado e no que não é. Mas a pessoa ver­dadeiramente religiosa vive. Não há nada apropriado ou inapropriado para ela. A compaixão é tão infinitamente apropriada que tudo que ela fizer por compaixão se torna automaticamente apropriado.

Mestre! – gritou um dos discípulos de Eisai. – Isso é sacrilégio! Como o senhor pôde fazer tal coisa?

Até um discípulo sabe que isso não é certo. Algo impróprio foi feito.

Sacrilégio? Bah! Simplesmente fiz bom uso, por assim dizer, da mente do Buda, que é plena de amor e misericórdia. Na verdade, se ele próprio tivesse ouvido aquele pobre samurai, teria cortado um braço ou uma perna por ele.

Compreender é diferente de apenas seguir. Quando você segue, torna-se quase cego; há regras que devem ser respeitadas. Se você com­preende, também segue, mas já não é cego. Cada momento é que de­cide; a cada momento sua consciência responde, e tudo que você fi­zer estará certo.

Osho, em “A Música Mais Antiga do Universo