SE QUISER REALMENTE CONHECER UMA PESSOA, PARE DE JULGÁ-LA

“Não me pergunte se sou evangélico, católico ou espírita; observe minha fé. Não me questione sobre o que eu penso a respeito da diversidade de gênero, mas veja como eu trato meus semelhantes. Não critique minha opção política antes de saber como respeito a cidadania.”

 

Parece que, atualmente, a onda do politicamente correto vem tornando o julgamento sobre a vida alheia mais rígida e acirrada. Uma vez que expomos nossas ideias a um público mais vasto, dado o alcance das redes sociais, acabamos sendo alvo das mais variadas formas de julgamento, tanto por quem gosta de nós, como por quem não gosta, ou até mesmo por quem nem nos conhece.

Uma das coisas mais difíceis de serem encontradas hoje em dia é alguém com quem consigamos discutir qualquer assunto que seja de maneira tranquila, quando os pontos de vista não coincidem. Muitas pessoas confundem gritos e ofensas com opinião, misturando coerção com argumentação. Pouco se abrem, portanto, ao novo, ao diferente, cristalizando ideias que não conseguem sair do lugar.

Dessa forma, acabamos, muitas vezes, perdendo oportunidades de encontros com pessoas que nos somariam conhecimento, amizade e companheirismo. Julgamos os outros a partir do que menos lhes caracteriza, rotulando-os de acordo com o que nós mesmos possuímos, sem nos permitir enxergar além do que as aparências transmitem, que é, afinal, o que realmente importa.

E a gente cansa. Cansa de ser mal interpretado, de ter o que disse desvirtuado e jogado de encontro com nossa dignidade de forma descontextualizada. Porque enjoa ter que ver os comentários violentos e ofensivos abaixo das nossas postagens, enjoa ter que deixar claro, a todo momento, que nossasopiniões não são regras e normas absolutas. É desagradável ficar medindo as palavras, por conta do temor de que gente raivosa nos ataque com destempero.

É tão simples. Não me pergunte se sou evangélico, católico ou espírita; observe minha fé. Não me questione sobre o que eu penso a respeito da diversidade de gênero, mas veja como eu trato meus semelhantes. Não critique minha opção política antes de saber como respeito a cidadania. Passe um dia comigo e então talvez esteja pronto para tirar conclusões minimamente coerentes. Somente ver não significa enxergar. Não julgue. Conviva, aproxime-se e observe. Não gostou, afaste-se, mas sem gritaria, que ninguém merece…

Marcel Camargo
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FIQUE À VONTADE, MAS FIQUE COM VONTADE

Quantas e quantas vezes não nos perguntamos se o que está em nossas vidas seria mesmo essencial, se tudo aquilo faz parte de nós mesmos ou se apenas nos acostumamos, seja com o emprego, com o parceiro, seja com a moradia, com os amigos. Fariam realmente falta? Não conseguiríamos sobreviver de outra forma?

Costumamos nos sentir bem com aquilo que já está estabelecido, com o que não muda nem traz incerteza, pois o que é cômodo implica, aparentemente, conforto e segurança. Por essa razão, às vezes nem nos dispomos a refletir sobre o rumo que nossas vidas vêm tomando, resistente que somos a mudanças que nos abalem o que parece certo.

E assim seguimos trabalhando, morando junto, presos a rotinas imutáveis, a pessoas dispensáveis, vestindo as mesmas roupas, penteando o cabelo do mesmo lado, comprando os mesmos produtos, frequentando sempre os mesmos lugares. Mal percebemos o quanto esse conforto pode ser desconfortável, o quanto ele nos limita e nos paralisa, mantendo-nos presos no mesmo lugar, afastando-nos de novas experiências para além de seus limites.

Mesmo que possa não ser agradável, refletirmos sobre o que e quem mantemos em nossas vidas nos possibilita tomadas de decisão imprescindíveis ao nosso caminhar, pois não conseguiremos respirar tranquilos, caso não nos desfizermos de muito daquilo que carregamos inutilmente. Tentar olhar para nossas vidas, do lado de fora, como espectadores de nós mesmos, nos tornará mais certos quanto à utilidade das coisas e à qualidade das pessoas ao nosso redor.

Empurrar as horas enquanto trabalhamos, enquanto estamos ao lado de alguém, enquanto vivemos, enfim, faz muito mal, indica vida pela metade, felicidade sufocada, tristeza camuflada, amor fajuto. Significa que estamos ausentes de nós mesmos, passando pela vida mediocremente, sem sorver todos os sabores, sem ver todas as cores, sem alcançar tudo o que poderíamos, tudo o que se encontra à nossa disposição, o dia todo, todos os dias.

Na verdade, já temos dentro de nós todas as respostas de que precisamos. Sabemos muito bem o que nos incomoda, o que nos emperra, quem não nos completa, quem não acrescenta. É preciso, pois, cair fora de onde estamos acomodados desconfortavelmente, desprendendo-nos dos relacionamentos sufocantes, fugindo de gente falsa e de ambientes desarmônicos. Pois é, ser feliz requer uma coragem absurda…

MARCEL CAMARGO
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“DIÁRIO DE UMA PAIXÃO”: QUANDO O AMOR RESISTE, PERSISTE E VENCE

O amor verdadeiro persiste, resiste, chama de volta, clama pela sobrevivência, fortalecendo-se, vencendo a dor, a mágoa, a doença, as incertezas. O amor é o que fica, quando tudo o mais se foi.

“Diário de uma paixão” é um filme lançado em 2004, baseado no best-seller de Nicholas Spark, que retrata o amor entre Allie e Noah, dois jovens que se apaixonam e morrem juntos. Mais do que um romance açucarado, o enredo nos leva a refletir sobre a força do amor em nossas vidas, o amor verdadeiro, que persiste e resiste aos temporais e às escuridões à nossa voLta.

O tema é um velho conhecido: jovem pobre se apaixona por jovem rica, encontram a oposição dos adultos, separam-se e reencontram-se, porque o amor é ímã, é demora, procura mútua e despojamento sincero. Envolta por uma bela fotografia e por uma trilha sonora harmoniosa, a história de amor entre pessoas tão diferentes deixa-nos uma mensagem de esperança boa, de que existem, sim, amores duráveis.

Hoje, nada parece feito para persistir, tanto no que diz respeito aos bens materiais, quanto ao que se relaciona aos sentimentos. É mais fácil jogar fora um aparelho do que mandar consertá-lo. É bem mais fácil desistir do amor, diante das primeiras dificuldades, do que tentar superá-las. Tememos enfrentar os obstáculos que atravancam o encontro amoroso, porque muito provavelmente veremos que somos em grande parte causadores dos mesmos.

Para que consigamos superar os obstáculos que se interpõem entre nós e a consumação do amor completo, precisaremos nos despojar de vaidades, de egoísmo, enxergando nossa parcela de responsabilidade naquilo tudo – casal são dois, ou seja, estamos incluídos nessa jornada. Caso não estivermos dispostos a mudar em nós o que prejudica a entrega recíproca, continuaremos delegando ao parceiro a culpa integral do que nos aflige. E então daremos adeus a qualquer chance de sobrevivência amorosa.

Allie e Noah não se relacionavam com harmonia perfeita, muito pelo contrário; porém, conseguiam ter consciência das próprias falhas, dos defeitos do outro, de maneira a lutarem juntos na superação dos entraves. Amor que sobrevive depende disso, de que ambos se reconheçam imperfeitos e reconheçam no outro aquilo que desagrada, pois amor é clareza, certeza, é um voltar, sempre, apesar da distância, apesar dos outros, mas, principalmente, em favor de nós mesmos.

Assistir a tantos casais que já se amaram com intensidade distanciando-se por conta dos tombos que a vida insiste em nos dar é triste. Quando ainda resta dignidade, vale a pena investir na retomada daquele sentimento que uniu dois corações, mesmo que hoje estejam calejados e machucados. O amor verdadeiro, como retratado no filme, persiste, resiste, chama de volta, clama pela sobrevivência, fortalecendo-se, vencendo a dor, a mágoa, a doença, as incertezas. O amor é o que fica, quando tudo o mais se foi, pois é o que nos torna eternos por onde tenhamos respirado o ar da verdade.

Marcel Camargo

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