AGARRA-TE AO POEMA

AGARRA-TE AO POEMA

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Se a luz da manhã te fizer tropeçar, agarra-te ao poema.
Se não conseguires suportar a solidão, agarra-te ao poema.
Se te rasteirar a mentira, não esqueças, agarra-te ao poema.
Se sentires que a verdade te faz fugir o chão, agarra-te ao poema.
Se o medo te impede de avançar, coragem, agarra-te ao poema.
Se a tua insegurança é mais forte do que tu, agarra-te ao poema.
Se alguém quiser fazer retroceder o teu sorriso, agarra-te ao poema.
Se uma dor insuportável te faz tremer as pernas, agarra-te ao poema.
Se o amor te deixar um dia abandonado e frágil, agarra-te ao 
poema.

Porque em cada circunstância a vida escreveu um poema
especialmente para ti.

*

Inédito de Joaquim Pessoa
QUE NOME DAR A ESTE LIVRO?, 
a publicar pela Editora Edições Esgotadas
em 2019.

Ferramentas e instrumentos

Desde eras primitivas, os seres humanos aprendemos a desenvolver ferramentas e instrumentos para facilitar o trabalho e tornar nossa existência menos árdua.

Das primeiras lascas de pedra, utilizadas para cortar, desbastar e raspar, até os aparatos tecnológicos mais modernos, que agilizam atividades e operações, vimos empregando nossa inteligência no desenvolvimento e na criação de soluções para problemas e desafios.

Porém, da mesma forma que criamos essas ferramentas para alavancar o progresso, uma parcela de nós, movidos por ganância, orgulho e egoísmo, nos servimos delas para nos impor sobre os demais, para humilhar, destruir, roubar.

Criamos o machado para cortar troncos e abrir picadas na mata, possibilitando nos deslocarmos com mais desenvoltura.

No entanto, alguns o utilizamos para agredir e matar companheiros de jornada, a fim de lhes roubar os frutos do seu trabalho e esforço.

Criamos a escrita. Com ela escrevemos leis, cânticos, livros e poemas maravilhosos. Outros a utilizamos para assinar sentenças de morte e registrar ofensas e injúrias.

Com o avião vencemos os ares e encurtamos distâncias. Contudo, quando nos voltamos para a guerra, vimos nele a ferramenta perfeita para lançar bombas sobre cidades e povoados, matando milhões de pessoas.

Desenvolvemos medicamentos para aliviar dores, curar e diminuir o sofrimento humano.

Homens maliciosos nos utilizamos de algumas dessas substâncias para criar mecanismos de fuga da realidade, produzindo-as em larga escala, auxiliando a viciar milhões de seres que se perderam no consumo indiscriminado de drogas.

A invenção da roda e, posteriormente, do automóvel, facilitou o nosso deslocamento, também o transporte de cargas, impulsionando o progresso.

Alguns de nós, inebriados pela velocidade, perdemos a vida em corridas e rachas sem sentido, movidos pelo prazer ilusório que ela proporciona.

A internet foi criada para resguardar pesquisas e importantes documentos de eventual destruição. Com o tempo, foi aberta ao público para que pudesse ser utilizada na troca e armazenagem de dados importantes.

Hoje, vários de nós a transformamos em repositório de inutilidades e coisas sem sentido, que ocupam milhões e milhões de páginas virtuais.

As redes sociais possibilitaram aproximar pessoas que se encontram fisicamente distantes. Mas, as usamos para veicular notícias falsas, ódio e agressões, frutos da intolerância, preconceitos e fanatismo de todo tipo, afastando familiares e amigos.

Outras tantas ferramentas e instrumentos estão à disposição da Humanidade para fomentar o progresso. De que forma as utilizamos depende do nível evolutivo dos que delas fazemos uso.

Que possamos estar atentos à forma como nos servimos do que temos, das oportunidades que recebemos para fazer o bem e espalharmos exemplos de amor ao Pai e ao próximo.

Exatamente como nos foi ensinado há milhares de anos pelo Mestre Jesus.

Pensemos de que maneira estamos nos servindo desses talentos que a Divindade nos permitiu criar, inventar, obter.

E busquemos deles nos servir somente para o bem, para coisas grandiosas, próprias dos que fomos criados por um Deus de amor e paz.

Fonte: Redação do Momento Espírita, com base em
O livro das invenções, de Marcelo Duarte,
ed. Companhia das Letras.

As Mulheres São Mais Fortes

As Mulheres São Mais Fortes

Para começar, gosto das mulheres. Acho que elas são mais fortes, mais sensíveis e que têm mais bom senso que os homens. Nem todas as mulheres do mundo são assim, mas digamos que é mais fácil encontrar qualidades humanas nelas do que no género masculino. Todos os poderes políticos, económicos, militares são assunto de homens. Durante séculos, a mulher teve de pedir autorização ao seu marido ou ao seu pai para fazer fosse o que fosse. Como é que pudemos viver assim tanto tempo condenando metade da humanidade à subordinação e à humilhação? 

José Saramago, in ‘L’Orient le Jour (2007)’

Fonte: http://www.citador.pt/textos/as-mulheres-sao-mais-fortes-jose-de-sousa-saramago