Quando chega a morte

Que sejamos como está reflexão: amor em cada instante na nossa vida, para que na passagem haja apenas saudade de todo amor que foi compartilhado!

Quando chega a morte

Ela é a indesejada. Ninguém que a convide. Sobretudo quando o amor preside as relações, a felicidade sorri e a vida é um constante recolher de bênçãos.

Milênios de Cristianismo com a lição da imortalidade testificada pelo Mestre dos mestres, ainda não nos penetrou a todos.

Por isso, toda vez que ela alcança um dos nossos amores, um amigo, um ídolo, um colega, lamentamos.

E continuamos a nos servir de expressões que se tornaram praxe para essas ocasiões: É com pesar que noticiamos a morte de…

Lamentamos a perda do seu ente querido.

Receba nossos pêsames.

A tristeza é a nota sonante. Por isso, algumas pessoas chamam a atenção pela sua postura ante a morte.

Recentemente, alguém influente de cidade do Interior do Estado morreu, depois de quase dois anos de luta contra a enfermidade cruel que o abraçou.

O que vimos foi uma movimentação maciça de instituições civis, religiosas, pessoas de todas as classes.

Flores e mais flores foram se acumulando, no local onde estava exposto o corpo para a visitação.

Uma música suave se derramava pelo ambiente, convidando os presentes ao silêncio respeitoso, à oração.

No momento de ser fechado o caixão para a condução ao túmulo, a esposa desejou falar.

Emocionada, mas firme, ergueu sua voz:

Amigos que aqui vieram prestar a última homenagem ao meu marido, recebam minha gratidão.

Agradeço as manifestações de solidariedade, os abraços, o carinho.

De alguns ouvi comentários de como deve ter sido duro o período da enfermidade do Marcelo.

De como deve ter custado a nós, os familiares, muito sofrimento os longos meses de cirurgias, quimioterapias e tudo que as acompanhou.

Saibam que esses dois últimos anos nos foram muito especiais. Não posso dizer que não houve dias de aflição, de angústia.

No entanto, desde o momento do primeiro e terrível diagnóstico, firmamos um pacto: ele, nossos filhos e eu.

O trato era de que, não importando o que acontecesse ou quando ocorresse a morte, o tempo que tivéssemos seria usufruído com estreitamento dos nossos laços afetivos.

Ficou estabelecido entre nós que a cada noite, antes do recolhimento ao leito, desejaríamos uns aos outros uma boa noite. Isso sempre entremeado de abraços e beijos.

E jamais iniciamos o dia sem igual procedimento.

Exercitamos o amor mais do que nunca.

Então, desejo que todos saibam que esses dois anos não foram pesados. Foram meses e meses de uma semeadura de amor.

Tudo para que, quando ele partisse, seguisse em paz.

E nós, os que o amamos, igualmente tranquilos, dele nos despedíssemos com um simples até logo.

As vibrações afetivas que trocamos nos manterão, saudosos, mas sem desespero, até o momento do reencontro.

Quando sua voz emudeceu, discretos soluços de emoção se escutaram, aqui e ali.

Uma aragem de paz soprou mansamente pela sala. A mensagem da certeza imortalista soprou de leve sobre todos.

Belo testemunho de quem, tendo colocado a mão no arado da fé, não se permitiu olhar para trás.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita.

Em 1º.5.2018.

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