Digo-te

Dia 347. (excerto)
*
E se o amor é como o oxigénio,
todos precisamos de amor. Vou, então,
respirar profundamente como quem faz música,
seja no coração ou no velho quintal
da tia-avó do Gedeão, Maria das Dores. Olha!,
as estrelinhas… Olha!, as estrelinhas… E tu olhas,
quando “posso escrever os versos mais tristes
esta noite”. Parecem diamantes a brilhar
nas mãos de um velho. Apaixonante, é perdoar,
amar-te duas vezes. Digo-te que és uma
tentação escaldante. Digo-te que forever
é uma alteração constante. Digo que
não haverá nunca nada mais brilhante
que um verso lapidado do futuro. Repara
como agora está escuro. Como está escuro
nos meus versos. Não há lua que ilumine
um muro, um telhado, uma canção. Mesmo
esta canção, estes versos que nos olham
com os grandes olhos azuis de Elsa e Aragon.
Vê como é bom que tudo cante assim,
dentro de ti, dentro de mim, também
fora de nós.
*
Joaquim Pessoa

in
ANO COMUM, 2.ª ed.

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