O tempo

E se te perderes na urgência das coisas que se são, mas jamais se terão, cristalizarás as ondas nesse mar imenso por onde espreitas á procura dos olhos.
O tempo? O tempo é mais alta das falácias, tão pequena na ordem das coisas criadas, que faz acreditar que a urgência existe e que te perdes nela, como num mar sem bússola.
Então que te ensinaram a sucessão das horas perdidas, a não ser poemas desconexos e gargalhadas que de tão longínquas parecem espuma? Que te ensinou o vento norte para além do frio?
A vida? A vida é este labirinto verde com cheiro a fruta e a beijos e que pelo meio renasce nalguns espelhos, (que se se partem) te deixarão nas mãos a maldição do vazio, sem reflexo, nem música para dançares á noite no frio do jardim.
A sorte? A sorte é que amanhece sempre, e o sol te entra pela janela dos olhos, sem cortinas, sem cerimónias, sem nenhum ritual que tu controles ou sequer conheças, e a beleza acontece para lá das rugas que a roupa faz quando te esperguiças.
Então descobres que a felicidade acontece simplesmente. Dura ou não, e está bem assim mesmo, porque jamais deixarás de respirar apenas porque o sol se põe, e voltarás a ser de novo , sem urgências, sem bens, sem ruas pré definidas, apenas olhando-te no horizonte e sendo.

Vanda Caetano Vaz Carvalho

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