Dia 129, sobre o artesão

Dia 129. (excerto)

*

Sou um artesão que trabalha na oficina das palavras.
Voo com as palavras. Vou com as palavras.
Subi as ladeiras do tempo carregado de sílabas e de
esperanças.
Voar foi escrever, habitar a música, tornar humana a
fantasia do anjo, sabendo que nem hábitos nem ges-
tos emprestaram serenidade à escrita.
O mundo não é um lugar para a verdade, nem é uma
casa vazia. É como a velhice que nos vai traindo, dan-
do-nos sabedoria, retirando do corpo para dar ao es-
pírito.
Têm-me valido, de todo, as palavras. As carregadas
de amor e as outras. Desarmadas. Simples. Dignas.
E também as que são fogo, tempestade ou raíz. Vou
fazendo danos a mim mesmo. Feridas e negações.
Mas prossigo, escrevendo. Com amor.

*

Joaquim Pessoa in
ANO COMUM, 2.ª ed.
Editora Edições Esgotadas.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s