Felicidade

A felicidade é como uma camisa que temos de despir
depois de a usar por pouco tempo. A alegria há-de
um dia dar-nos a provar o prato da tristeza
e isso é dolorosamente difícil de não ver. Deixei
a pele de quase todos os meus dias em milhares de
armadilhas, e os outros que restaram guardei-os para
serem acariciados, para serem tocados devagar
pelo amor. Ainda tenho uma imensa fome de ternura,
de dizer e ouvir banalidades que não quis remediar.
Numa mão tive sempre uma luta, na outra sempre nada
para que não pudesse dar o que me haviam oferecido.
Foi essa a minha herança. Cada um, à sua maneira,
pode utilizar a sua herança para dar mais sentido
aos anjos da guarda.

Joaquim Pessoa

in
O POUCO E PARA ONTEM.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.