Evocação das águas

Sempre me encantaram as janelas. Porque fechadas ocultam a intimidade de um quarto, de uma casa. Porque ali se aninharam sonhos, se enxugaram lágrimas, se encostaram lábios que embaciaram vidros em resultado das muitas esperas.
Abrem-se por vezes para se olhar o céu, molhar o rosto com os rios que as nuvens libertam, encher-me por dentro do ar do anoitecer e saudar com os braços e a alma aqueles por quem tanto se esperou.
Ah, aprendi há muito que devo cerrar os olhos e as cortinas da janela antes de ver partir no fim da rua, na margem do horizonte, aqueles de quem nunca me quero separar. São gotas de muitas águas, como eu. Levam e deixam a saudade agarrada às recordações, como velhas pontes de pedra que sabem de cor a melodia das manhãs…

Lilia Tavares

8 pensamentos sobre “Evocação das águas

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