Continuas a ter asas?

Deixa que te diga
sim. continuo a ter asas.
agora chamo-lhes braços.
repousam por vezes. outras não.
o corpo deita-se no limiar do sono
para que as asas durmam.
agora chamo-lhe repouso
amanhã chamar-lhe-ei viagem.
as asas criam vontades
e o céu canta-as
o voo parece então inevitável
mas os muros de tão altos
colam-se ao corpo.
deixa que te diga
sim. continuo a ter asas.
o sorriso é apenas penas
que perdi nas rotas que voei.
ficaram então os dentes
e a boca que se abre quando ri.
ficou o ritmo que o coração tem
e a que distraidamente chamamos vida
quando o mar se zanga
e as gaivotas rugem como leões
voando ao redor do medo.
deixa que te diga
sim. continuo a ter asas.
agora chamam-se amor
e são-no incondicionalmente
bordado a cheio nos seios do dia.
gosto deste rumo a que as asas me levam
em baixo está o mar e corpos que se agitam
nadando contra a maré.
o tempo está pronto. eu também.
a casa está quente. a porta aberta.
voar parece-me mesmo inevitável.
deixa que te pergunte
sim? continuas a ter asas?

(Vanda Caetano Vaz Carvalho)

 

Eu respondo: Sim, asas para o amor, asas para a vida, asas para a verdade, asas para poesia.

Senão fosse assim, preferia ser chão e brotar com raízes, mas com as asas vôo em direção ao horizonte de sonhos e vontades, para que o sol que sobrevoo seja o calor para fazer brotar as raízes das minhas verdades.

(Gustavo Rocha)

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