POEMA NONAGÉSIMO NONO

POEMA NONAGÉSIMO NONO

Amei-te algumas vezes
como se amam as flores e por ti
fiz as mais pequenas coisas com amor.
Bebi o sol que roubei à tua sombra
quando foste o poço dos desejos,
pequena flor da amendoeira que
por momentos enlouquece
o coração da abelha.
Algumas vezes beijei nas tuas mãos
as faces do meu rosto
depois de nele soltares o potro
das carícias. E despi das tuas ancas
o tecido com que faço os meus poemas
para deixar nu o corpo da paixão,
sedento, doce, inflamado,
nascente rápida da memória
do fogo
quando no escuro incendeia
a noite, até amanhecer.

Joaquim Pessoa In Guardar o Fogo

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