O FIM DO AQUI

O FIM DO AQUI
Joaquim Pessoa
Amanheci ontem. E preparo-me para abocanhar o futuro com a minha boca de tigre.

Desafio-te a morrer, se for preciso, para que o possas alcançar.
Traz contigo apenas a esperança e a lucidez das tuas mãos.

Traz a lição da história, esse belo pavão que serve também para comer.

Procurar a liberdade é castigo para um ser livre.

Não jures perante nada. Não te comprometas a não ser com o Livro da Vida.
Os teus bens são o poderes passar sem eles. Na verdade, ninguém detém a riqueza, apenas a pode utilizar para transformar o rosto, o corpo, o perfil das cidades; transformar a boca dos livros, os olhos agudos dos poetas, os elementos nus que depositam a chuva no coração do pássaro que transforma o canto em azul puro de modo a transformar o brilho das moedas num eterno discurso de paixão.

Transformar. E transformar. E transformar.

Transformar sempre. E transformar depois, o sempre. Fazer o fim do aqui. E transformar o agora.

 

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