Mulheres hoje

MULHERES HOJE  – Fabricio Carpinejar

As mulheres não telefonam no dia seguinte.

As mulheres somente querem sexo.

As mulheres pedem para pular a preliminar.

As mulheres dormem logo depois da transa.

As mulheres só almejam a ascensão profissional.

As mulheres preferem loiros burros.

As mulheres abandonam seus parceiros de repente.

As mulheres não desejam ter filhos, nada que atrapalhe sua carreira.

As mulheres acreditam que suas mães e suas avós eram umas coitadas.

As mulheres não permitem que ninguém dirija seu carro.

As mulheres confiam que felicidade é se manter ocupada: sair do trabalho para a festa, da festa para o trabalho.

As mulheres recusam homens românticos, carentes e dedicados.

As mulheres se enxergam envergonhadas diante de demonstrações exageradas de amor, como flores e chocolate.

As mulheres amam mentir e narrar indiscrições sexuais às amigas.

As mulheres gostam de filmes de ação para não pensar muito.

As mulheres largaram aulas de dança para lutar boxe tailandês e Krav Magá.

As mulheres consideram o ciúme um sentimento inferior.

As mulheres abominam a ideia de partilhar a mesma residência. Cada um precisa ter seu endereço, para facilitar separações.

As mulheres odeiam cozinhar, passar roupa ou arrumar a casa, qualquer serviço menor, que não traga rendimentos. E, de modo nenhum, descem com o lixo.

As mulheres já estão enfrentando ratos e matando baratas.

As mulheres apenas aceitam discutir o relacionamento com o terapeuta.

As mulheres fazem escândalo quando o homem se oferece para pagar a conta, é sinal de submissão.

As mulheres não se importam com a vida afetiva dos outros por absoluta falta de tempo, entretidas demais em resolver seus problemas.

As mulheres não estão dispostas a negociar, é tudo ou nada.

As mulheres não prestam mais atenção em detalhes, como gola desajeitada da camisa ou fio estourado da roupa, dedicam-se aos grandes assuntos emergentes.

As mulheres não se arrependem, não voltam atrás, não sofrem com dúvidas – o ideal é olhar sempre para a frente. A incerteza é para os fracos.

As mulheres não escutam o que a sua companhia fala e repetem as últimas palavras para fingir que ouviram.

As mulheres sentem repulsa de conversar sobre gêneros.

Não é evolução imitar o pior do homem.

Nós é que deveríamos nos igualar a vocês. Nós é que estávamos atrasados em sensibilidade.

Esta igualdade é decadência.

Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 25/09/2012
Porto Alegre (RS), Edição N° 17203

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